terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

sobre Transcendência de Grof

Breve Comentário sobre Transcendência, um Campo além do Cérebro O livro de Grof amplia o espectro de pesquisa da psique humana, acrescentando uma dimensão transpessoal à teoria e a prática psicológica. Grof utiliza fontes intelectuais diversas, quais sejam, o novo paradigma proposto à ciência pela Física quântica e sua convergência com as tradições milenares da Cultura oriental, a Psicanálise, notadamente os trabalhos de Freud, Jung, Adler, Reich e Otto Rank e a terapia psicodélica, por meio dos quais consegue estabelecer as bases científicas da “Psicologia Transpessoal”. Não se trata de mais uma corrente interpretativa dos fenômenos psicológicos, mas de um extenso e persistente trabalho de pesquisa em torno dos “estado s incomuns da consciência” e sua exploração através da hipnose e da Terapia psicodélica. Durante três décadas, desde quando transferiu-se da Checoslováquia para os Estados Unidos, em meados dos anos 60, Stanislav Grof promoveu inovações na pesquisa transpessoal, tendo como epicentro de suas investigações os domínios perinatais (que focalizam experiências de nascimento e morte) e transpessoais (que está além do nível biográfico-rememorativo). O Dr. Grof, utilizando-se da técnica da “respiração holotrópica” (modelo Taoísta da hiperventilação) e de recursos psicodélicos em sua atividade como psiquiatra e psicoterapeuta, proporcionava a seus paci entes o contato com suas experiências perinatais: acontecimentos do período gestacional, traumas vividos durante a passagem no parto natural, os primeiros contatos com o ambiente externo e a mãe, e além disso o paciente transcendia as “fronteiras” do nascimento biológico em busca de suas vivências transpessoais: os registros da zona de ligação entre o individual e o inconsciente coletivo, as experiências arquetípicas, o acesso ao estado de consciência da unidade no qual não há limites temporais ou espaciais entre a parte (o ego) e o todo (o universo) e por fim as recordações das experiências evolutivas anteriores (reencarnações passadas, que vão desde a formação do psiquismo primitivo nos ambientes unicelulares até os níveis auto-conscientes das encarnações humanas). Grof ao lidar com esta “cartografia transpessoal da psique” enfrentou um duplo desafio: por um lado, utilizar a exploração dos diversos níveis perinatais e transpessoais como processo terapêutico, de alta eficiência na solução de problemas psiquiátricos e transtornos de diferentes matizes no universo da psicopatologia. Por outro, o Dr. Grof deveria “Caminhar o caminho místico com pés práticos”, isto é, manter-se no plano da pesquisa científica e do acompanhamento racional dos dados, ainda que estivesse superando o mecanicismo das leis e parâmetros da Ciência moderna. Como ele próprio definiu “precisava manter a psicologia transpessoal à altura dos trabalhos de seus pioneiros Carl Gustav Jung, Roberto Assagioli e Abraham Maslow”. O que se observa no trabalho de Grof é o reconhecimento da importância dos aspectos espirituais da mente, ou seja, da transpessoalidade do psiquismo humano, tanto para o mapeamento das patologias que fogem a dimensão biográfica da existência, quanto para a construção dos fundamentos teórico-metodológicos de uma Psicologia que remete o homem a sua constituição cósmica. Trata-se de uma Psicologia que supera o reducionismo cerebrocêntrico, que houvera reduzido a experiência psíquica ao jogo cego das forças bioquímicas e a realidade neuronal. Em uma palavra, é possível dizer que a Psicologia Transpessoal, tal como demonstrada por Stanislav Grof em seu revolucionár io “Além do Cérebro” é a Psicologia do Futuro: um conhecimento psicológico que reintegra o individual no coletivo, o essencial e o existencial, a diversidade em um sistema cósmico unificado. Sugestão da "Espirit Net" para saber mais ! Clique aqui... Denizard de Souza é conferencista espírita, presidente da Associação dos Divulgadores Espíritas do Distrito Federal (ADE-DF), Diretor de Políticas de Comunicação da Associação Brasileira dos Divulgadores Espíritas (Abrade), Mestre em Sociologia e professor universitário. __._,_.___

Consciência sem Limites - sobre a Transpessoal e S. Grof

CONSCIÊNCIA SEM LIMITES
"A PESQUISA DA MENTE ATINGE O PONTO ONDE A CIÊNCIA ENCONTRA A ESPIRITUALIDADE"
POR JOSÉ TADEU ARANTES - Revista Galileu No. 94
Quem somos ? De onde viemos ? Para onde vamos ? Por que o mundo existe ? Qual o sentido da existência ? Todos nos fizemos, alguma vez, perguntas como estas. Elas têm sido formuladas desde a infância da humanidade. E as inspiradas respostas que lhes foram dadas constituem o núcleo das grandes tradições espirituais do planeta. Essa sabedoria tradicional – que já foi desprezada em nome da ciência – vem recebendo agora notáveis confirmações por parte da moderna pesquisa científica da consciência.
Quando se fala em pesquisa da consciência, o primeiro nome a ser lembrado é o de Stanislav Grof. Nenhum cientista tem feito mais na área do que esse psiquiatra checo radicado nos Estados Unidos. Ao longo de quatro décadas de investigações sistemáticas, ele acompanha dezenas de indivíduos, de diferentes meios culturais e crenças, que tiveram acesso ao que chamou de "estados inusuais de consciência". "As experiências psíquicas vividas nessas condições desafiam a visão de mundo materialista e compõem um quadro que coincide com os ensinamentos das antigas tradições espirituais", declarou Grof à revista Galileu. Ele próprio apresentou esse quadro numa série de livros, especialmente em O Jogo Cósmico, recém-lançado no Brasil.
Segundo o pesquisador, a psique atua de dois modos diametralmente opostos. Recorrendo a uma analogia simplista, mas útil para a compreensão do fenômeno, pode-se dizer que ela possui um dispositivo interno que funciona de modo semelhante a um interruptor de corrente elétrica. Quando giramos a chave para um lado, a consciência se restringe, tornando-se focalizada, analítica, atenta aos detalhes. Essa é a posição com a qual operamos usualmente em nosso dia-a-dia. Ela nos leva a ver a realidade como um conjunto de eventos, que ocorrem no espaço tridimensional e se sucedem num tempo linear. E, por exemplo, nos permite atravessar uma rua movimentada sem sermos atropelados e calcular, com alguma chance de sucesso, o entra-e-sai de dinheiro em nossa conta bancária. Gr of a chama de hilotrópica, palavra derivada dos termos gregos hyle (matéria) e trepein (mover-se em direção a).
Até aqui, nenhuma novidade. Quando giramos a chave para o outro lado, porém, a situação se altera de maneira radical. A consciência liberta-se das amarras do espaço-tempo, da identificação restritiva com o corpo físico e o ego racional e expande-se indefinidamente.
Caem as barreiras entre o "eu" e o "outro", entre o "aqui" e o "ali", entre o "antes" e o "depois". A consciência passa a englobar domínios cada vez mais amplos da realidade. No limite, ela abarca toda a criação e pode até mesmo identificar-se o Criador. Esse é o estado no qual surgem as grandes inspirações artísticas, científicas e filosóficas, a iluminação mística e os dons proféticos. Grof o chama de holotrópico, do grego holos (todo) e trepein (mover-se em direção a).
URSOS PODEROSOS
Parece fantástico. Mas, como demonstrou de maneira exaustiva a pesquisa de Grof, os estados holotrópicos, ou inusuais, são potencialmente acessíveis a todo ser humano. Eles hibernam como ursos poderosos nas cavernas da psique. E tendem a despertar pelos mais variados motivos. Podem irromper fugaz e espontaneamente em meio às atividades cotidianas, provocadas pela visão de um céu estrelado, pela audição de um concerto de Bach ou pela leitura de um verso de William Blake, por exemplo. Podem ser metodicamente preparados, desencadeados e estabilizados por meio de rigorosas disciplinas espirituais, como as iogas indianas. Podem ser temporariamente induzidos por substâncias psicoativas e técnicas de forte impacto, como a "respiração holotropófica", desenvolvida p or Grof e sua mulher Christina (leia quadro).
Qual é a visão de realidade oferecida pelos estados holotrópicos? Para começar, o universo material deixa de ser visto como uma coleção de objetos separados, relacionados uns com os outros por meio de forças externas e cegas. Ele passa a ser percebido, ao contrário, como uma totalidade inseparável e orgânica. "Nosso universo, que parece englobar um número incontável de entidades e elementos diferentes, apresenta-se, então, como um único ser, de imensas proporções e complexibilidade inimaginável", explica Grof. Igual a um tapete contínuo, é impossível puxar uma de suas pontas sem balançar todas as demais. E não se trata de um tapete comum, mas do famoso tapete mágico dos contos de As Mil e Uma Noites, pois a percepção que se tem do universo é a d e um ser vivo, impregnado de consciência em todos os seus níveis.
Grof e seus colaboradores recolheram centenas de relatos de indivíduos que, em estado holotrópico, sentiram-se identificados com animais, vegetais ou minerais.
Todos esses entes, inclusive aqueles supostamente inanimados, pareciam-lhes dotados de consciência, que adquiria, em cada caso, um matiz específico. Tais experiências poderiam ser rotuladas como meras fantasias ou alucinações, não fosse pelo fato de que esses episódios proporcionaram, às pessoas envolvidas, informações detalhadas – e previamente desconhecida – sobre os entes com os quais haviam sintonizado. A identificação consciente com plantas, por exemplo, traduziu-se em vislumbres surpreendentemente precisos de processos botânicos, como germinação de sementes, trânsito de água e minerais nas raízes, fotossíntese e polinização.
Em o Jogo Cósmico, Grof menciona a experiência espontânea de um americano inteligente e culto, que se identificou com uma montanha, enquanto acampava com os amigos na Sierra Nevada. O psiquiatra o chama apenas de John. "Todo o meu turbilhão e palavrório internos silenciaram e foram substituídos por uma quietude absoluta. Senti que eu havia chegado. Eu estava num estado de completo repouso, no qual todos os meus desejos e necessidades pareciam satisfeitos e todas as perguntas respondidas. Subitamente me dei conta de que essa paz inimaginável tinha algo a ver com a natureza do granito. Por incrível que pareça, senti que eu me tornara a consciência do granito. Compreendi, então, por que os egípcios faziam esculturas de deuses em granito e por que os indianos viam o Himalaia como a figura reclinada de Shiva. Era o estado de consciência imperturbável que eles veneravam".
Esses dados já contradizem frontalmente o sistema de crenças da ciência materialista. Mas a visão descortinada em estados ampliados de consciência vai muito além. Pois, o domínio da matéria, com seus bilhões de galáxias, representa nela apenas uma estreita faixa do campo contínuo que compõe a realidade. Adiante dele, estende-se a vastidão inconcebível dos domínios espirituais, povoados por uma profusão de personagens, que, na posição holotrópica da chave do interruptor, mostram-se tão ou mais reais do que os entes materiais. Grof e seus colaboradores reuniram uma quantidade prodigiosa de casos de encontros ou mesmo identificação com espíritos desencarnados, antigos mestres espirituais, personagens mitológicos e deuses e deusas de diferentes panteà µes.
UM AMOR IRRESTRITO
Um jornalista brasileiro, que para manter sua privacidade prefere não ser identificado, viveu experiência desse tipo durante uma sessão de respiração holotrópica. "A atividade mal havia começado, quando eu fui presenteado com uma visão do grande mestre espiritual indiano Babaji", afirma. "Ele estava na minha frente, a uma certa distância, com a mão direita levantada num gesto de benção. Era jovem, tinha cabelos longos, vestia uma túnica branca e emanava uma amor irrestrito. Sua figura possuía uma presença, qualidade plástica e luminosidade sem paralelos com qualquer personagem que possamos observar no mundo material. E se manteve estável durante as três horas que durou a sessão, não desaparecendo mesmo quando eu tive de interromper a atividade para ir ao banheiro. Eu estava perfeitamente desperto e lúcido e tenho certeza de que aquela visão não foi produto da minha fantasia ou imaginação."
Narrativas como esta podem ser recebidas com desdém pelos céticos. Mas os estados holotrópicos são pródigos em experiências semelhantes e qualquer um que as tenha vivido dificilmente duvidará de sua autenticidade. Nesses elevados patamares de consciência, o mundo material e o mundo espiritual apresentam-se como elos de uma corrente contínua, que as tradições místico-filosóficas nomeiam como a "grande cadeia do ser". E a matéria e o espírito mostram ser apenas diferentes manifestações da divindade única. "Quando experimentamos essas dimensões que estão ocultas à nossa percepção diária, percebemos, de maneira direta e irrecusável, o caráter divino da existência", enfatiza Grof.
Sri Aurobindo Ghose (1872-1950), um dos maiores iogues contemporâneos, teve essa percepção logo no início de sua prodigiosa trajetória espiritual. Aos 35 anos, engajado na luta pela independência nacional da Índia, ele buscou, na milenar disciplina da ioga, um método que otimizasse sua capacidade de trabalho e ação. Seu primeiro exercício de meditação profunda, sob a direção de um guru, resultou numa experiência que transformou radicalmente sua visão de mundo. "Com estupenda intensidade, ela me fez ver o mundo como um jogo cinematográfico de formas vazias na impessoal universalidade do Absoluto", escreveu ele anos mais tarde. "Não havia ego ou mundo. Não havia um ou muitos. Apenas um "Isso" sem feições, sem relações, puro, indescritível, impensá vel, absoluto. Todavia, supremamente real e a única realidade."
Contra sua expectativa e convicções filosóficas, Aurobindo havia entrado num estado espiritual que representava a mais alta meta de várias escolas místicas. Uma meta alcançada apenas por poucos e após longos anos de prática. Para ele, porém, esse foi apenas o primeiro passo, rumo a experiências ainda maiores, que se sucederiam num crescendo até o fim de sua vida.
Prosseguindo seu combate contra o domínio inglês da Índia, ele foi preso pelas autoridades coloniais e, na cadeia, teve acesso a um estado de consciência que o levou a ver Deus em todas as coisas. A visão se manteve imperturbável, mesmo diante do tribunal britânico: "Eu olhava para o conselho de promotores e não era o conselho de promotores que eu via", descreveu Aurobindo. Era o Senhor Krishna (uma das personificações divinas), que estava sentado lá e sorria. "Você ainda tem medo?", ele disse. "Eu estou em todos os homens e governo suas ações e palavras".
O COMO E O PORQUÊ
Na perspectiva holotrópica, a realidade inteira, com seus incontáveis enredos, personagens e conflitos, é um magnífico teatro, no qual Deus é o autor, o produtor, o diretor, a equipe técnica, os atores e a platéia. O "como" e o "porquê" desse jogo fascinante são perguntas que vêm intrigando, há milênios, a inteligência humana. E constituem um enigma insolúvel para o ego racional. A simples indagação "por que existe alguma coisa, ao invés do nada?" deixa mudas a ciência e a filosofia. Confirmando e até enriquecendo as inspiradas respostas dos grandes místicos, a moderna pesquisa da consciência permite encaixar novas peças nesse quebra-cabeça cósmico.
UMA NOVA E REVOLUCIONÁRIA VISÃO DA PSIQUE
Stanislav Grof iniciou sua pesquisa da consciência na antiga Checoslováquia, no ano de 1956. Ele trabalhava então no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Praga. E recebeu do Laboratório Sandoz, da Suíça, um kit com uma substância recém-sintetizada; o LSD. O laboratório queria sua opinião sobre o potencial que a droga oferecia para o tratamento dos distúrbios psíquicos.
Nas duas décadas seguintes, Grof coordenou mais de 4 mil sessões, nos quais testou a substância em milhares de voluntários. A investigação foi realizada no Instituto de Pesquisa Psiquiátrica, da Checoslováquia, e, depois, na Johns Hopkins University, no Maryland Psychiatric Research Center e no Esalen Institute, dos Estados Unidos, onde Grof passou a residir a partir de 1967. Sua conclusão foi que a droga não induzia formas específicas de alucinação, como se imaginava.
Ela funcionava, isto sim, como catalisadora e amplificadora das atividades da psique. Em outras palavras, tudo aquilo que as pessoas experimentavam durante as sessões eram seus próprios conteúdos psíquicos, muitos dos quais haviam permanecido inconscientes por toda a vida. Quando o LSD passou a sofrer restrições legais. Grof deixou de utilizá-lo e, junto com sua segunda mulher, Christina, desenvolveu uma nova e poderosa técnica de ampliação da consciência, que batizou com o nome de respiração holotrópica. Ela dispensa o emprego de qualquer substância química e consegue alcançar seu objetivo por meio da combinação de três ingredientes: uma forma específica de respiração, a audição de músicas de forte poder evocativo e intervenções corporais loc alizadas.
Sob a coordenação de profissionais credenciados, dezenas de milhares de pessoas já recorreram a esse método de investigação e transformação da psique. No Brasil, ele foi introduzido há mais de 15 anos, pelas mãos da psicóloga Doucy Douek, a principal discípula de Grof no país. ]
A enorme quantidade e a desconcertante variedade de experiências propiciadas pelas sessões de LSD e respiração holotrópica exigiram de Grof um exaustivo trabalho de sistematização e interpretação. O resultado foi uma revolucionária teoria da psique, que incorpora e supera os modelos de Sigmund Freud e Carl Gustav Jung e lança uma ponte entre a ciência de vanguarda e a sabedoria milenar das tradições espirituais.
A aguda consciência da necessidade desse intercâmbio o levou a fundar a International Transpersonal Association (ITA), ou Associação Transpessoal Internacional, uma entidade engajada na busca de novos paradigmas e no diálogo entre cientistas, artistas e líderes espirituais.
À frente da ITA, Grof organizou grandes congressos internacionais, que reuniram personalidades da estatura do físico David Bohm, do psiquiatra R.D.Laing, do cardeal brasileiro Dom Helder Câmara, do Dalai Lama e de Madre Teresa de Calcutá.
Livros do Grof em português
· Além do Cérebro, Ed. MacGraw-Hill
· Emergência Espiritual (em co-autoria), Ed. Cultrix
· A Tempestuosa Busca do Ser, Ed. Cultrix
· A Mente Holotrópica, Ed. Rocco
· Além da Morte. Ed. Del Prado
· A Aventura da Autodescoberta, Ed. Summus
· O Jogo Cósmico, Ed.Atheneu

Associação Transpessoal da América do Sul // Tel: (0XX11) 3871-5955 Artigo de Denizard de Souza - Brasília "Muito Além do Cérebro"

Mediunidade ou esquizofrenia

* Mediunidade ou Esquizofrenia? Sensitivo ou Psicótico? Como diferenciar?
Publicado em: 03 de fevereiro de 2010

Em http://formspring.me/LazaroFreire perguntaram:

Olá Lázaro, eu gostaria de saber a diferença entre esquizofrenia e uma pessoa sensitiva que vê e ouve vozes.

Esse pode ser um diagnóstico muito delicado. Se não pelo lado técnico, no mínimo devido ao respeito a crenças e sucetibilidades. O simples fato de ter que abordar a questão com alguém já demanda um embasamento e preparo profissional. No caso, transpessoal, já que uma visão por demais crédula ou cética pode levar a equívocos graves.
Médiuns todos somos, e todo "louco" também percebe coisas do dito além. Isso não importa tanto. Há mediunidade na loucura e loucura na mediunidade.
Para se falar em aceitação transpessoal, é preciso outro critério. Cada caso é um caso, mas um bom parãmetro inicial é o da FUNCIONALIDADE e NORMALIDADE.

1) Como a pessoa que ouve vozes FUNCIONA socialmente? Tem o humor normal? Se relaciona bem no trabalho, família, carreira, via acadêmica, vida financeira, amigos, etc? Tem boa socialização, relacionamentos afetivos normais?

2) Como é a ESTURUTA DE LINGUAGEM e DISCURSO? Há presença de elementos delirantes? Os outros percebem o discurso dela como coerente, verossímel, logicamente estruturado? Ou é uma conversa que abre pontas que mal se fecham? Cada patologia tem uma estrutura de discurso (e, às vezes, maneira de olhar) BEEEEM característica, que ouvidos treinados profissionais conseguem captar quase que imediatamente, por nosso "olho clínico".

3) Qual a característica da mensagem das vozes? São coisas óbvias e caricaturais ou mensagens originais? Se originais, qual o grau de coerência do recado? Tem alguma característica de delírio de grandeza, de perseguição ou auto-referente? O suposto "médium" que ouve vozes é "engrandecido" por elas, ou ocupa um papel comunicante MUITO especial em relação à humanidade, incompatível com as probabilidades e bom senso?

4) A mediunidade constuma levar as pessoas a CRESCEREM, fazerem reformas íntimas, reverem suas sombras. Já os estados psicopatológicos
em geral fazem a pessoa se manter onde está, e até se dissolver, largar compromissos, não conseguir manter o que fazia. Então um bom critério é o quanto a pessoa está CRESCENDO, nos parâmetros éticos, sociais, pessoais, materiais, etc, a partir do contato com sua mediunidade.

5) Esquizofrenia e demais estados psicóticos envolvem sempre DELÍRIOS e ALUCINAÇÕES. Ou seja, não basta ser vozes, são vozes fora de hora, e que às vezes levam o "médium" a modificar a realidade objetiva a partir do contato interno subjetivo. Esse é para mim o grande limite da patologia, mesmo quando vem de médiuns autênticos. O ponto em que deixa de ser uma expressão interna elevadora, em momento adequado, e deixa de ser tomada PARA SI; e passa a ser baliza para a realidade externa. Nas palavras de Freu, o princípio dos desejos começa a lutar não mais contra o ego ou o superego, mas contra a própria realidade externa, que se dissolve. As vozes interferem no
mundo externo, ou mudam a vida OBJETIVA de quem as escuta. Aí é hora de intervir.

6) O mais importante é que MÉDIUNS devem SEMPRE fazer psicoterapia. Eles lidam mais com o inconsciente do que os demais, e pisam sempre nessa linha tênue entre realidade e simbologia, material e espiritual. Podem a qualquer momento ter seu senso de avaliação comprometido, e, portanto, precisam de um interlocutor externo imparcial. Se alguém chega a TER DÚVIDAS então, passou da hora de uma avaliação profissional. Então, estamos supondo que o tal médium TENHA acompanhamento psicoterapeutico capacitado. Nesse caso, podemos perguntar se, na visão de um profissional que conheça a vida dela, se o conteúdo dessas vozes É MESMO transpessoal ou se trata de uma clara representação do inconsciente, como um sonho acordado.

7) Outra questão é que um médium deveria ser intermediário. O que importa não é ouvir vozes, mas ter normalidade e credibilidade para passar
o seu recado adiante. Não é "médium" o sensitivo que não se relaciona socialmente. Não era "médium" aquele que se encontrava em manicômios.

8) Se houver um diagnóstico ou suspeita de esquizofrenia / psicose, é fundamental manter o tratamento. Remédios antipsicóticos atuam apenas em delírios, na esfera cerebral. Não afetam a mediunidade ou sensibilidade de ninguém, já que estas deveriam vir de além do físico. Ao contrário, tratar a esquizofrenia, tanto em psicoterapia quanto com medicamentos, auxilia a verdadeira mediunidade, já que diminui a confusão mental interna no sensitivo, que impedia dele passar o seu recado adequadamente. Um médium fica MELHOR MÉDIUM com tratamento, e confunde as mensagens, mesmo as legítimas, enquanto está na psicose. Se um tratamento para psicose "remover a mediunidade" de alguém, não era mediunidade. Simples assim.

Há mais critérios, o diagnóstico é sutil, não dá para esgotar por aqui. Espero ter ajudado.
Lázaro Freire

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Xamanismo Havaiano


Os Sete Princípios do Xamanismo Havaiano, seus Atributos e Talentos

IKE:O mundo é o que você pensar que ele é.
Kala: Não existem limites.
Makia: Para onde for a atenção para lá irá a energia.
Manawa: O momento do Poder é agora!
Aloha: Amar é estar feliz com...
Mana: Todo o poder vem do seu interior.
Pono: A verdade é medida por sua efetividade.

(COROLÁRIO – é o que se deduz de uma verdade estabelecida)

1º. Ike - O mundo é o que você pensa que é.
Corolário: Tudo é sonho. Todos os sistemas são arbitrários.
Utilização do poder do pensamento.
Cor branca

2º. Kala - Não há limites.
Corolário: Tudo está interligado.
Tudo é possível.
Separação é apenas uma ilusão útil.
Utilização das ligações energéticas.
Cor vermelha

3º. Makia - A energia segue o fluxo do pensamento.
Corolário: A atenção segue o fluxo energético.
Tudo é energia.
Utilização do fluxo de energia.
Cor laranja

4º. Manawa - Seu momento de poder é agora.
Corolário: Tudo é relativo.
Utilização do momento presente.
Cor amarela

5º. Aloha - Amar é compartilhar.
Corolário: o amor aumenta quando o julgamento diminui.
Tudo está vivo, atento e reativo.
Utilização do poder do amor.
Cor verde

6º. Mana - Todo poder vem de dentro.
Corolário: Tudo tem poder.
O poder vem da permissão (da criação).
Utilização do poder da permissão (da criação).
Cor azul

7º. Pono - A efetividade é a medida da verdade.
Corolário: Existe sempre outra forma de se fazer algo.
Utilização do poder da flexibilidade.
Cor lilás

A cada princípio, corresponde um atributo; representam qualidades especiais a serem desenvolvidas e são percebidos de maneira diferente do que comumente fazemos.

Os Talentos

Os princípios e seus Talentos são:

1º. Ike - Visão; é uma maneira diferente de se perceber as coisas; é a visão metafísica da realidade.

A visão comum das coisas chama-se Ike Papakahi; é a visão do primeiro nível. A visão metafísica chama-se Ike Papalua; é a maneira de se perceber a realidade atuando num segundo nível, de onde se controla o primeiro.

2º. Kala - Esclarecimento; é a maneira que se tem para agir fazendo com que se consiga claramente a união do seu eu com o universo; é a transformação do homem em um ser holístico.

3º. Makia - Focalização; focalizar em sua mente suas intenções, objetivos, metas e propósitos são os modos de se conseguir uma revisão permanente de suas motivações, o que lhe dá maior eficiência em suas ações e uma maior capacidade de frustrações. Isso é possível quando se consegue sentir que na focalização existe uma segunda situação, que só é percebida, quando a percepção se torna inconsciente transformando a linguagem de analítica em intuitiva. Nessa fase não há separação: nós somos o todo.

4º. Manawa - Presença; sendo o presente o nosso tempo, o aqui/agora e o agora/aqui são situações das quais tiramos todo proveito para nosso entendimento e compreensão e quanto mais atentos estivermos, mais presentes nos faremos e mais frutos colheremos de nossas ações.

5º. Aloha - Bênção; em todas nossas intenções, atitudes e ações, se conseguirmos reforçar o bem presente ou potencial, quer pela palavra, imagem ou ação, poderemos sentir a bondade, enxergar a beleza e apreciar a perícia com que se age. Assim, estaremos abençoando. O Xamã age de maneira diferente porque é capaz de abençoar o bem potencial através de desejos de sucesso às pessoas a quem se dirige.

6º. Mana - Permissão; para que qualquer coisa tenha poder, é necessário que lhe atribuamos este poder que queremos transmitir, isto é, autorizamos que tenha este poder. Isto pode ser feito com pessoas e objetos. Só se consegue isto com a energização do que queremos atribuir poder.

Assim como podemos dar poder, também podemos tirar.

O Xamã guerreiro personifica o mal lhe dando poder, aprendendo como conquistá-lo. O Xamã destemido tira o poder do mal o despersonificando e aprendendo sobre ele, conseguindo a harmonia, fazendo assim, que o mal desapareça.

7º. Pono - Tecelão de sonhos; o Xamã tece seus próprios sonhos desenvolvendo suas habilidades e assim, poderá ajudar os outros a tecerem seus sonhos. Ele usa esta habilidade para fazer suas curas que têm um sentido diferente das curas comuns. Por exemplo, um massagista, massageando o corpo de um paciente está usando suas mãos para curar o corpo físico do paciente. O Xamã massagista, massageando, estará usando o corpo físico como ferramenta para tecer um novo sonho e curar o espírito. São duas situações em que as ações são semelhantes, mas as intenções e atitudes são diferentes.

COMPLEMENTANDO:

1º IKE - Como você se sente depende de como você pensa. Sua realidade é criada pelo que você pensa e sente.

2º KALA - Tudo ouve o que você diz e sente o que você sente. Sua realidade é criada pelo que você sente, ouve, diz e pensa!

3º MAKIA - O que você quer é mais importante do que o que você não quer. Reafirme sempre o que quer, dando força e reafirmando todo o tempo a vibração do que quer para você. Quando pensamos no que não queremos damos força e reafirmamos o que não queremos para nós mantendo a vibração próxima, não nos afastando e sim nos aproximando do que não queremos!

4º MANAWA - As coisas não acontecem ontem e elas não acontecem amanhã; elas só podem acontecer agora. Não pense no que já aconteceu, pois não há como refazer, não pense em como seria bom se tivesse, pois se usar seu presente só pensando no que seria, não construirá agora o que quer para você!

5º ALOHA - Quanto mais feliz você é, mais sorte você tem. A felicidade vibra numa freqüência que aproxima mais felicidade e mais sorte para quem a sente!

6º MANA - Sempre há alguma coisa que você pode fazer. Não há problema insolúvel, não há estrada sem saída! Tudo sempre tem uma saída, tudo sempre tem uma solução!

7º PONO - Sempre faça o que funciona. Se você fizer algo que não funcione, faça diferente! É necessário aprender a diferença entre persistência e teimosia!

Religião e Espiritualidade


A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer, querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: “aprende com o erro”.

A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e portanto é Deus.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.

A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualide nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

Desafios conceituais à ciência - Grof

Desafios conceituais à ciência

Durante toda a história da ciência moderna, gerações de pesquisadores buscaram com grande entusiasmo e determinação os vários grandes caminhos de pesquisa oferecidos pelo paradigma newtoniano-cartesiano descartando prontamente conceitos e observações que teriam questionado algumas das premissas filosóficas básicas partilhadas pela comunidade científica. Muitos cientistas foram tão inteiramente programados por sua educação ou tão arrebatados e impressionados pelo seu uso pragmático, que aceitaram aquele modelo, de maneira literal, como uma descrição exaustiva e correta da realidade. Nessa atmosfera, incontáveis observações de vários campos foram sistematicamente descartadas, suprimidas ou mesmo ridicularizadas, com base em sua incompatibilidade com o pensamento reducionista e mecanicista que, para muitos, tornou-se sinônimo de um enfoque científico. (...)

As extraordinárias conquistas técnicas dessa ciência têm produzido um efeito negativo, apesar de seu potencial para resolver a maior parte dos problemas materiais que afligem a humanidade. Seu sucesso criou um mundo no qual seus maiores trunfos – energia nuclear, foguetes espaciais, laser, computadores e outros instrumentos eletrônicos, e os milagres da química e da bacteriologia modernas – transformaram-se em pesadelo e perigo vital. Como resultado vivemos em um mundo divido (...), perigosamente ameaçado por crises econômicas, poluição industrial (...). Por causa dessa situação mais e mais pessoas questionam a utilidade de um progresso tecnológico precipitado, que não é cuidado nem controlado por indivíduos emocionalmente maduros ou raças suficientemente evoluídas, capazes de manejar, de maneira construtiva, os poderosos instrumentos criados por esse mesmo progresso.

À medida que se deteriora a situação mundial sócio-política e ecológica, um crescente número de indivíduos parece desistir da manipulação unilateral e do controle do mundo material e voltar-se para dentro de si mesmo. Há um interesse cada vez maior na evolução da consciência como uma possível alternativa para a destruição global. Percebe-se isso na crescente popularidade da meditação ou de outras antigas práticas espirituais do oriente e na psicoterapia experiencial, tanto quanto nas pesquisas clínicas de laboratório sobre a consciência. Essas atividades apresentam um novo foco: os paradigmas tradicionais são incapazes de adaptar e responder por um grande número de observações seriamente desafiadoras vindas de áreas e fontes diferentes.

Na sua totalidade, esses dados são de importância crítica e indicam necessidade urgente de uma revisão drástica de nossos conceitos fundamentais da natureza humana e da natureza da realidade.


Retirado do livro: Além do cérebro; de Stanislav Grof

Frases de C. G. Jung




"O que não fazemos aflorar à consciência volta em nossa vida em forma de destino."

"Ser normal é a meta dos fracassados"

"Ninguem se torna iluminado imaginando figuras de luz...mas sim, tornando a escuridão consciente"

“É imperiosa a necessidade de se reconhecer o valor oposto aos antigos ideais, de perceber o engano das convicções defendidas até então de reconhecer e sentir a inverdade das verdades aceitas até o momento, de reconhecer e sentir toda a resistência e mesmo a inimizade do que até então julgávamos ser amor”.

"Do mesmo modo que aquele que fere ao outro fere a si proprio, aquele que cura cura-se a si mesmo".
(Memórias, Sonhos e Reflexões - C.G.Jung)

" O artista não é uma pessoa dotada de livre arbítrio que persegue seus próprios objetivos, mas alguém que permite à Arte realizar seus propósitos através dele. Como ser humano ele pode ter humores, desejos e metas próprias, mas como artista ele é "homem" num sentido mais sublime - ele é um homem coletivo - alguém que carrega e molda a vida psíquica da humanidade." (jung, 1933, pag.189)