terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Doença é um Mestre

A DOENÇA É UM MESTRE - parte 1 - Conceição Trucom*

"Compreender o mal não o cura, mas, sem dúvida alguma, ajuda. Afinal, é muito mais fácil lidar com uma dificuldade compreensível que com uma escuridão incompreensível." - Carl Jung.

A medicina alopática interpreta a doença como causa advinda de fora do paciente, impotente diante da ação de microorganismos, ou então como resultado de uma imperfeição da natureza; colocando, em ambos os casos, o doente como uma vítima das circunstâncias.

Entretanto, as medicinas milenares como a hindu Ayurvédica e a Tradicional Chinesa (MTC) interpretam a doença como desarmonias, desequilíbrios do Ser como um todo (holos), holisticamente. E esse todo avalia sintomas no físico, mas também no metafísico (meta = além; físico = matéria): mental, emocional, afetivo, energético, espiritual e suas integrações.

Tais medicinas comprovam também que a saúde plena do homem depende da sua capacidade de perceber afetivamente os desafios da sua existência e interrelação com o universo. E, que as doenças ganham espaço e força quanto mais as percepções sofrem interferências dos desequilíbrios psicoemocionais, ou seja, são imaginárias ou iludidas. E, por essa visão, torna-se evidente que é o espírito que organiza a matéria, e não o físico que cria a essência. Porque afeto, gratidão, bom-humor e harmonia são qualidades 100% espirituais.

A doença é um mestre porque obriga o doente a parar e refletir: minhas ações estão centradas no afeto ou no medo? Na busca da verdade ou no esconderijo das sedações e ilusões? No silêncio ou no lastimar? Em geral, o doente não é vítima inocente de alguma imperfeição da natureza ou de uma condição insalubre. Ele não pegou uma doença, ele construiu, ainda que inconscientemente (porque iludido), a sua doença (*). Se, porventura, podemos culpar bactérias ou toxinas que impregnam nosso organismo e ambiente, podemos dizer também que todos os seres, de certa forma, estão expostos aos mesmos agressores e venenos.

Nosso mundo é inteiramente insalubre e, ao mesmo tempo, pleno de luz e harmonia: atraímos (ou percebemos) a insalubridade ou a pureza como reflexo da nossa afetividade e pensamentos. Deixamos entrar aquilo que, conscientes ou não, permitimos. O doente é responsável por sua doença, que é também um mestre. Entenda: a doença não é uma “cruz”, mas a ponta do tanto de aprendizado, amadurecimento e fortalecimento que podem advir dessa experiência. Os sinais (e sintomas), além da manifestação característica de uma determinada doença, são a expressão física dos conflitos internos (psicoemocionais e espirituais) e têm a função de mostrar ao doente as diferentes facetas de seu momento evolutivo.

A vida, frequentemente, coloca-nos em situações aparentemente repetidas para que possamos absorver delas o aprendizado. Enquanto esse aprendizado não for introjetado, seguirá ocorrendo “o mesmo filme”. Sintomas, portanto, são partes da sombra da nossa consciência (e caos do inconsciente) agora sob holofotes. A doença é uma verdadeira chamada para a transformação, a cura, o crescer, a expansão da consciência.

Estamos permanentemente sedados e crentes nos automatismos psicoemocionais e físicos que impedem a percepção. Um círculo vicioso, porque, uma vez intoxicados, os cinco sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar), que nos tornam presentes e reais, tornam-se cada vez mais imprecisos, presas fáceis da imaginação e ilusão.

Quando essa dormência torna-se perigosa à evolução, surge a doença que, por meio dos seus sintomas, pretende apenas nos despertar: caia na real. A cura verdadeira nunca virá de fora. Estamos permanentemente diante do resgate da consciência. Todos os desequilíbrios são efeitos da inconsciência que não foi inspirada para o consciente. A cura da doença não está nos remédios, mas sim na sintonia com seu ser, seu espírito que deseja evolução. Para que a cura aconteça, use a doença como um mestre. Trata-se da grande tarefa do despertar da nossa identificação com o mundo da forma: o corpo adoece para avisar que nossa parte não visível está sendo usada sem a ajuda da Alma, sem buscar a inspiração, o amparo, o amor, a luz da Criação.
Nesse processo, a doença e seus sintomas são sinais que mostram onde a Alma está bloqueada na percepção dos talentos, dons, missão e significância. Use-os na superação dos desafios, na evolução espiritual. Livrar-se dos sintomas sem que se entenda ou se assimile a natureza da mensagem só irá adiar a cura, a transformação.

A medicina moderna adquiriu uma enorme competência em eliminar a maioria dos sintomas dando uma falsa noção de cura. A questão é que a supressão dos sintomas jamais significará uma cura. A cura verdadeira só acontecerá quando expandirmos a consciência.

(*) Quando o doente é uma criança, embora não conheçamos todos os mistérios da vida e os propósitos de Deus, penso que pode ser um resgate daquele espírito, que apesar de estar num corpo infantil, tem seu processo evolutivo a cumprir. Ao mesmo tempo, entendo que toda a família pode estar "curando-se" diante da doença daquela criança. Ou seja, a doença está sendo um mestre para todo o grupo ou comunidade.

Leia: A Doença é um Mestre - Parte 2
A Doença é um Mestre - Parte 3
A Doença é um Mestre - Parte 4
Texto extraído do livro Alimentação Desintoxicante (sexta edição) - Conceição Trucom - editora Alaúde, cuja leitura na íntegra lhe possibilitará a prática desta filosofia de vida com consciência e responsabilidade.

*Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para a alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.

Fonte:
http://www.docelimao.com.br/site/desintoxicante/principios/58-a-doenca-e-um-mestre-parte-1.html

Ficar exposto às plantas reduz o hormônio do stress

Para melhorar o sistema imunologico e baixar o stress...
02/08/2010
Ficar exposto às plantas reduz o hormônio do stress
.


Exposição a plantas pode aliviar o estresse, aumentar imunidade e proporcionar a saúde integral: químico produzido pelas plantas é benéfico aos seres humanos
Por Anahad O’Connor, do jornal New York Times, 5/7/10

Passar mais tempo junto à natureza pode ter alguns efeitos surpreendentes à saúde. Numa série de estudos, cientistas descobriram que, quando as pessoas trocam suas “prisões” de concreto por algumas horas em ambientes naturais – florestas, parques e outros locais com muitas árvores –, elas apresentam um aumento na função imunológica.A redução do stress é um fator. Mas os cientistas também associam isso a phytoncides, químicos transportados pelo ar emitidos pelas plantas para protegê-las do apodrecimento, de insetos, e de micróbios, e que aparentemente também beneficiam os humanos.Um estudo publicado em janeiro incluiu dados sobre 280 pessoas saudáveis no Japão, onde a visita a parques naturais para efeitos terapêuticos se tornou uma prática popular chamada de “Shinrin-yoku”, ou “banho de floresta”. No primeiro dia, algumas pessoas foram instruídas a caminhar por uma floresta ou área arborizada por algumas horas, enquanto outras caminharam pela cidade. No segundo dia, inverteram as atividades. Os cientistas descobriram que estar entre plantas produziu “menores concentrações de cortisol, menor frequência cardíaca e pressão arterial”, entre outros aspectos.Vários outros estudos mostraram que visitar parques e florestas parece aumentar os níveis de células brancas, os leucócitos. Num estudo de 2007, homens que fizeram caminhadas de duas horas numa floresta por dois dias tiveram um aumento de 50% nos níveis de linfócitos. Outro estudo descobriu um aumento nos leucócitos, que durou uma semana, em mulheres expostas a phytoncides do ar da floresta.De acordo com estudos, a exposição às plantas e árvores parece beneficiar a saúde.
__._,_.___

ONU e os povos indígenas

9 de agosto é Dia Internacional dos Povos Indígenas.
Nações Unidas ressaltam importância da cultura indígena
As populações indígenas do mundo preservaram uma vasta quantidade da história cultural da humanidade. Os povos indígenas falam a maioria das línguas mundiais. Herdaram e passaram adiante um rico conhecimento, formas artísticas e tradições religiosas e culturais.
Para marcar a importância da cultura indígena, as Nações Unidas comemoram anualmente o Dia Internacional dos Povos Indígenas, sempre no dia 9 de agosto. Neste ano, será nesta segunda-feira. O foco será a celebração dos cineastas indígenas, em conexão com o tema da Sessão de 2010 do Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas, “Desenvolvimento com cultura e identidade”.
Em sua mensagem, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou que os povos indígenas sofrem com o racismo, saúde precária e pobreza desproporcional. “Em muitas sociedades, suas línguas, religiões e tradições culturais são estigmatizadas e rejeitadas. O primeiro relatório da ONU sobre o Estado dos Povos Indígenas do Mundo, de janeiro de 2010, apresentou estatísticas alarmantes. Em alguns países, povos indígenas estão 600 vezes mais vulneráveis a contraírem tuberculose em relação ao resto da população. Em outros, uma criança indígena tem a expectativa de vida 20 anos menor do que seus compatriotas não-indígenas”.
Segundo a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, existem motivos para celebrar o progresso alcançado ao tornar os direitos humanos uma realidade para os povos indígenas. Ela destacou, no entanto, que o Dia Internacional dos Povos Indígenas também é uma ocasião para lembrar que “não há espaço para a complacência. As constantes violações dos direitos dos povos indígenas, em todas as regiões do mundo, merecem nossa atenção e ação máximas”.
O Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo foi declarado pela Assembleia Geral em dezembro de 1994, para ser comemorado todos os anos durante a primeira Década Internacional dos Povos Indígenas do Mundo (1995-2004). Em 2004, a Assembleia proclamou a Segunda Década Internacional, 2005-2015, com o tema “Uma Década de Ação e Dignidade”.
Leia aqui a mensagem do Secretário-Geral da ONU em ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas;
Leia aqui a mensagem da Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos em ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas;
Acesse aqui a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (edição especial com perguntas e respostas);
Acesse aqui o relatório O Estado dos Povos Indígenas do Mundo (em inglês, notas descritivas em espanhol).
Exibição de curtas-metragens
Na Sede da ONU em Nova York, haverá na própria segunda-feira (9) uma exibição de vários curtas-metragens de cineastas indígenas, seguido de um debate com alguns deles. Em ocasião ao Dia, uma série de filmes também serão exibidos em todo o mundo.
É o caso do curta brasileiro “Marangmotxingo Mïrang – Das crianças Ikpeng para o mundo” (2002, legendas em inglês), em que quatro crianças Ikpeng falam sobre sua vida na aldeia e mostram suas famílias, brinquedos e comemorações. Contrastando com gerações anteriores, elas estão conscientes de seu patrimônio cultural e como ocorreram mudanças desde a geração de seus avós. O curta venceu diversos prêmios e está disponível clicando aqui.
“Povos Taino contados fora de existência” (Porto Rico, 2010) conta a história deste povo originário das Ilhas Caribenhas, incluindo Porto Rico, e que foram considerados extintos. Ao se organizarem para participar do censo de 2010, compreenderam que podem usar esta ferramenta para fazer valer sua existência enquanto povo indígena. O vídeo está disponível clicando aqui.
“Sikumi no gelo” (Alaska, 2008) fala sobre um caçador Inuit que guia sua matilha no frio Oceano Ártico e acaba se tornando inesperadamente testemunha de um assassinato. Vencedor do Prêmio do Júri de Curtas no Festival Sundance 2008. Disponível clicando aqui.
“U Bej X Sabina (O caminho de Sabina)” (México, 2009) fala da história de uma menina indígena que aprende sobre seus direitos contidos na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Disponível clicando aqui.
Outras informações sobre o tema, em inglês, em www.un.org/indigenous
Publicado em 06/08/2010 por Redação Consciência.Net na seção: Agosto de 2010,Mundo
Siga a Agência Consciência.Net pelo twitter: @consciencia_net
Tags: , , ,
Matéria anterior:

Impressões Sobre a Ayahuasca

Impressões Sobre a Ayahuasca
Entrevista com Patrick Druot
Druot procurou nos Xamãs o que não achou na ciência Luz no horizonte O físico Patrick Druot, que já vendeu um milhão de livros sobre xamanismo, saber de culturas ancestrais, diz que vêm aí boas mudançasPatrick Druot, 53 anos, pós-graduado na Universidade de Columbia, consegue enxergar a virada do milênio com um otimismo contagiante, apesar do quadro de guerras, desemprego e desigualdade social. Ele arrisca dizer que nos espera um tempo de mais tolerância, compreensão e amor. Esse otimismo é resultado de 20 anos de experiências com expansão da consciência e contatos com culturas antigas. Nesse período, conviveu com tribos indígenas e aborígenes na América do Norte e na Oceania, onde estudou o trabalho dos xamãs, líderes espirituais conectados com a natureza. Segundo Druot, em breve ocorrerá uma mudança porque as pessoas buscam cada vez mais respostas e spirituais para dar sentido à existência. "Acho que o Brasil terá um papel importante neste despertar", ele anuncia. Até os 35 anos, ele mesmo acharia graça no que acredita hoje. De família católica, deixou de ir à missa aos 15 anos para tornar-se um cético convicto. Foi depois de se pós-graduar em Física que começou a ter contato com o fenômeno da expansão da consciência e especializou-se em Terapia de Vidas Passadas (TVP), que pesquisa e pratica no Instituto de Pesquisas Físicas e da Consciência, em Paris. "Essas experiências me reconectaram a Deus." Quanto a frequentar uma igreja, ele diz: "Sim. Uma floresta, uma praia, o mundo todo é uma catedral." Em sua sétima visita ao Brasil, para dar workshops sobre vidas passadas e lançar seu quinto livro, O físico, o xamã e o místico (Editora Nova Era), ele deu esta entrevista.
ISTOÉ - O que é um xamã?Patrick Druot - É uma pessoa investida de dons de profecia, dons de cura, de percepção a distância. Os xamãs dizem que os primeiros professores nos tempos antigos eram as plantas e os animais. Eles foram os primeiros líderes religiosos, os artistas, os médicos. Sua herança enorme influenciou, milênios mais tarde, as primeiras religiões organizadas. Cristianismo, budismo, taoísmo, tudo isso tem origem xamânica. ISTOÉ - O que levou um físico como o sr. se interessar pelo tema? Druot - Há 20 anos, comecei a me interessar pelo que se costuma chamar de estados alterados de consciência. Conhecia-se a atividade da superfície do cérebro, mas nunca explicaram como ele funcionava e o que o fazia funcionar. Durante muitos anos, me interessei pelo fenômeno da vida antes do nascimento e tentei entender onde essa memória estava gravada. A ciência não respondia a essas indagações, então comecei a estudar diversas tradições orientais: as escolas de ioga, o budismo e, como morei dez anos nos Estados Unidos, trabal hei e vivi com índios americanos. Conheci suas cerimônias e seus rituais de cura e me interessei pela origem desses estados de consciência.. E aí foi preciso voltar mais de 20 mil anos, ao tempo dos primeiros xamãs. Foram eles, no período paleolítico superior, os primeiros a passarem para o outro lado e a explicar como era estruturado o mundo xamânico.
ISTOÉ - O xamanismo faz parte da história de todos os povos? Druot - Sim. O termo xamã foi adotado pelos antropólogos para definir todos os representantes religiosos e seres particulares de todas as raças. O termo tem origem siberiana. Saman, quer dizer aquele que sabe, aquele que é. Na tradição xamânica mundial, os xamãs são aqueles que vêem o mundo como um composto de três mundos. Um físico, povoado pelos espíritos da natureza, um mundo subterrâneo e um terceiro, sublimado. Em todos os grupos, seja na Sibéria ou na Nova Zelândia, as tradições sempre batem: são três mundos ligados por um eixo central. A imagem varia. Pode ser uma corda, uma escada, uma montanha. O dom do xamã é viajar pelo intermundo, ao longo dessa corda que atravessa os três mundos. ISTOÉ - Em seu livro, o sr. afirma que a ciência moderna ainda não distingue psicose de despertar xamânico. Por quê? Druot - Há um psiquiatra inglês que diz que o sábio e o psicótico estão no mesmo oceano. Mas enquanto o sábio nada, o psicótico se afoga. Eles têm percepções idênticas, mas o psicótico não sabe ordenar o saber. Até o fim dos anos 50, a ciência pensava que o xamã era um esquizofrênico. Foi preciso que o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss afirmasse que eles sabiam exatamente o que os xamãs faziam e que havia uma lógica em seus rituais. Não eram selvagens porque moravam na floresta, era o mundo deles. ISTOÉ - O que é a física xamânica? Druot - Eu queria saber como o xamã viajava pelos três mundos, onde estão esses mundos. Em física, sabemos que o universo é feito de vibrações. Supus que o xamã era capaz não apenas de se projetar num mundo de vibração, mas de mudar essa vibração. Na física quântica, diz-se que tudo está ligado ao chamado tecido subjacente do universo. No mundo do xamanismo dizem que estamos todos ligados. Os celtas e os druidas viam o mundo como uma teia de aranha tridimensional. Se puxarmos um pedacinho aqui, toda a teia vibra. Em física quântica diz-se que o universo está ligado por cordas supersensíveis. Para mim, havia uma ligação entre o xamanismo e a física quântica porque ambos trabalham com vibrações, oscilações, sons. E os xamãs sabem disso.. Foram os primeiros físicos da história. ISTOÉ - Por que as tradições xamânicas são apenas orais? Druot - Nossa cultura ocidental privilegia o lado esquerdo do cérebro, lógico, racional, ligado ao tempo linear. E também à © ligado à palavra escrita. Esse tipo de tradição xamânica funciona principalmente no lado direito do cérebro, ligado à tradição oral. No Taiti, encontramos os sacerdotes maoris que conservam a tradição do povo. Eles são capazes de contar a história de 20 gerações de sua família. Levam-se de 30 ou 40 anos para aprender a tradição oral, mas nada é deformado. É o mesmo motivo pelo qual a maioria dos povos tradicionais não acredita em reencarnação. Eles não têm a mesma concepção de tempo, que não é linear para eles. Esses povos vivem o agora.
ISTOÉ - E o que o sr. acha? Druot - Buda tem uma boa resposta.. Ele disse que não se pode dizer que existe, mas também não se pode dizer que não existe.. Conheço um número enorme de pessoas que tiveram experiências de vida anterior. Não podemos provar cientificamente, mas há muitas evidências. E o potencial terapêutico da regressão é impressionante. Muita gente passa por diversos médicos sem conseguir se curar e, com duas ou três sessões de regressão, descobrem-se os motivos da doença e ela passa. Funciona em cerca de 80% dos casos. ISTOÉ - Ainda há muitos xamãs hoje? Druot - Com o expansionismo branco, a partir do século XVI, essas culturas tradicionais foram proibidas e seus territórios foram tomados. Nos Estados Unidos, o xamanismo desapareceu quase totalmente. Nos anos 60, no entanto, os índios americanos começaram a resgatar antigos ensinamentos. Só em 1978 o presidente Jimmy Carter assinou o American Indian Religious Freedom Act (lei da liberdade religiosa indígena). Atualmente, muitos americanos com problemas psicológicos vão se tratar com os índios. Esses xamãs são inacessíveis, não falam facilmente. Encontrei um xamã maori na Polinésia que disse: "Vocês tiraram nossa língua e nossa cultura e nossos filhos não falam mais taitiano. Não vamos ensinar nossas tradições." É um tr abalho muito lento. Levamos muitos anos. Só se você começa a pensar com o lado direito do cérebro, consegue se comunicar com eles.
ISTOÉ - É possível desenvolver o lado direito do cérebro? Druot - Sim. Mas leva algum tempo.. Porque o mundo ocidental faz parte de uma cultura do lado esquerdo, enquanto os povos tradicionais têm uma cultura do lado direito. O ideal não é usar apenas um dos lados, mas conseguir sincronizar os dois. Viver no mundo material, mas com uma percepção diferente. Dessa maneira, o mundo torna-se um teatro mágico.. Quando o lado esquerdo pára de bloquear, pode-se ir ao mundo dos sonhos. O escritor mexicano Carlos Castañeda já contava em seus livros como aprendeu com um xamã mexicano a ir ao mundo dos sonhos e disse que é tão real quanto este aqui. ISTOÉ - Como foi a sua experiência com o Santo Daime? Druot - Não era o Santo Daime que me interessava, mas a ayahuasca (planta que produz um chá alucinógeno utilizado pela seita amazônica). Mas eu não tinha contatos diretos. Não se pode ir à floresta buscar a planta sozinho. Em 1994, meu antigo editor brasileiro fez um contato com Alex Polari, um dos líderes da seita em Céu do Mapiá. Tenho respeito pelos rituais, pela igreja, mas não participei. Disse desde o início que me interessava pela planta que, no princípio, era uma planta xamânica. Em abril de 1995, eu e minha mulher, Liliane, passamos duas semanas na floresta e fizemos muitas experiências sob o efeito da ayahuasca. O cérebro funciona de forma totalmente diferente. Tudo se abre. Você pode ver espíritos, as auras. Fizemos até contato telepático. Por três ou quatro minutos, soubemos exatamente o que o outro pensava. Sentia e via a Terra respirar, num movimento claro. Tudo se organizava em fractais. ISTOÉ - De que serviu a experiência? Druot - A ayahuasca é usada para propósitos religiosos, alg uns usam para curar, tirar pessoas da dependência de drogas, álcool. Mas em minha opinião, é muito mais do que isso. Acho que ainda não se sabe usá-la para conhecer o outro e a si. Com ela, se poderia descobrir muito sobre as causas de doenças físicas e emocionais. Essa experiência provou o que estudei por 15 anos: só utilizamos uma parte mínima do cérebro. Não tomamos mais a planta, mas ainda temos algumas vibrações e percepções que vêm dela. Não vemos mais uma floresta como antes. Nosso contato com a terra foi modificado. Há uma percepção mais aguçada. Traz sentimentos de tolerância, de respeito e de amor.
ISTOÉ - É possível passar por este tipo de experiência sem a ayahuasca? Druot - Talvez. Eu já tinha percepções desde 1985, estimulando uma visão vibracional. Há um campo magnético ou vibracional que circunda todas as coisas vivas, até nós mesmos. E tudo o que acontece com você está escrito neste campo. É uma técnica. Tem de ser feito com sons, sobretudo com tambores, que são os batimentos cardíacos do criador. Quando se está em sincronia com uma batida de tambores, é possível fazer a viagem. Passei por essas experiências com os índios do Canadá, nas ilhas do Pacífico, nos EUA. O uso de plantas é específico da América do Sul e Central, onde se usa o peiote. ISTOÉ - A experiência é similar? Druot - A ayahuasca é mais imediata ao abrir as portas psíquicas, as portas da percepção. É como se o cérebro se abrisse. Tecnicamente falando: normalmente, vemos o mundo através de nossos olhos. Mas não vemos como o cérebro vê. O olho é um instrumento de análise de frequência, como o ouvido. Isso só foi descoberto nos anos 60. Isso significa que vemos e escutamos através dos olhos, mas não é como o cérebro vê e escuta.. Com a ayahuasca, você vê e escuta como o cérebro. É uma percepção holográfica do mundo. Porque o cér ebro é um holograma. Ele se abre para você. Mas acho que não se pode tomá-la de qualquer jeito, é preciso uma boa orientação, alguém que te ajude a passar pelos vários estágios da ayahuasca. E também é preciso estar junto à natureza. Não acho cabível tomá-la num lugar fechado, por exemplo. O que acontece é que a planta abre todos os canais, as pessoas vêem cores, caleidoscópios e ficam felizes. Mas é muito mais do que isso.
ISTOÉ - Como o sr. se preparou para a experiência? Druot - Antes de tomar a ayahuasca, estudei o trabalho de um etnofarmacobiologista da Finlândia, desenvolvido durante seis anos. Eu sabia que não havia efeitos colaterais nem risco de dependência. ISTOÉ - O sr. sentiu medo? Druot - Sim, porque nunca tinha tomado nada parecido na vida, nenhuma outra substância alucinógena. Não sabia exatamente o que esperar. Quando comecei a sentir os efeitos, me senti mais confortável, entendi o que a planta me ensinava. ISTOÉ - O sr. acha que há hoje uma maior abertura do mundo ocidental para estes ensinamentos? Druot - Sim. Em 15 anos, vendi um milhão dos meus cinco livros, e recebi cerca de 60 mil cartas. Acho que estes números podem ser tomados como uma prova de um interesse crescente. As pessoas querem saber quem são, qual o seu lugar no mundo. Não somos robôs, somos seres humanos. Entre muitos povos índios, o próprio nome do povo significa seres humanos, como os cheyenes americanos. No Havaí, os locais chamam os brancos de haoles, que significa os que são mortos por dentro. Eles dizem que não estamos vivos, porque não estamos conectados com os espíritos e a natureza. ISTOÉ - A que o sr. atribui esse interesse? Druot - No século XVII, houve dois gênios que criaram os fundamentos da ciência moderna: René Descartes e Isaac Newton. Eles começaram a explicar muitos fenômenos qu e não se explicavam antes, mas o problema de suas visões foi ver o ser humano como uma máquina, um relógio. Desprezaram a consciência e o espírito. A ciência se pulverizou. Olha-se apenas o corpo, não o espírito. Acho que o terceiro milênio trará a reunião de tudo. Os xamãs dizem que as doenças entram quando a pessoa está separada dela mesma e do mundo. Os índios navajos americanos têm um sistema médico que reconecta a pessoa a ela mesma e ao universo. Agora, há na Universidade de Medicina de Phoenix, no Arizona, um departamento intercultural com xamãs navajos e médicos americanos, que tentam entender como eles curam pessoas desenganadas de câncer, por exemplo.

O Saber e a Pose

Você acredita na dança da chuva? Em 1998, o Estado de Roraima teve quase um quarto de seu território queimado por causa de uma seca que já durava três meses. Depois de frustradas tentativas de apagar o fogo, ogoverno decidiu recorrer à crendice popular. Dois índios caiapós Kuerit e Mantii [Kukrit e Manti-í] foram levados do Mato Grosso até Boa Vista para executar a dança da chuva. As passagem e o hotel foram pagos pela Funai. Os pajés dançaram durante quarenta minutos, às margens do rio Curupira, pedindo chuva ao espírito de um antepassado. Para surpresa geral, a chuva veio e apagou a maior parte dos focos de incêndio.
O saber e a pose
Os índios são no Brasil de hoje um dos últimos redutos
de uma espiritualidade autêntica
OLAVO DE CARVALHO
Escrevendo na Folha, uma cientista social (ah, como é
rico em cientistas sociais este Brasil!) explica-nos
que a eficácia dos ritos indígenas para produzir chuva
é um resultado do consenso social. Não é maravilhoso?
Pressionadas pela opinião pública, as nuvens fazem
pipi de medo. Já a "Veja'', com seu característico ar
de menininho primeiro da classe, alerta contra o
ressurgimento das crendices, como se fosse muito mais
racional e científico acreditar na "Veja'' do que nos
pajés de Roraima.
Da minha parte, não me lembro de jamais ter acreditado
piamente numa única linha dessa revista. Não vai nisso
nenhuma ofensa aos coleguinhas: um jornalismo saudável
não dá por pressuposta a sua própria infalibilidade,
sobretudo em assuntos tão estranhos à mente
jornalística como o é a arte de fazer chover.
Havendo motivos de sobra para duvidar de que citadinos
incapazes de extrair um pingo d'água de um coco seco
tenham grande autoridade para opinar em questões de
pluviosidade ritual, parece-me que as classes falantes
têm oferecido ao público, no que dizem da chuva que
salvou Roraima, um triste espetáculo de ignorância
presunçosa.
Enquanto os pajés davam com modéstia exemplar um show
de eficiência e poder, os ditos civilizados procuravam
esconder sua vergonhosa impotência por trás de
pedantismos verbais, recriminações mútuas, acusações
ao "governo ladro" que não produz chuva e, "last but
not least", despeitadíssimas tentativas de diminuir e
aviltar o grande feito dos dois admiráveis sacerdotes.
Mas que mais poderiam fazer? Que entende de diálogos
com o céu essa gente imersa na "completa
terrestrialidade e mundanização do pensamento''
preconizada por Antônio Gramsci?
A "Veja'', por exemplo, está tão longe do assunto que,
quando fala de "renascimento da fé'', não entende por
essa expressão nada mais que um fenômeno de marketing.
Crendice, no sentido rigoroso do termo, seria
acreditar que mentalidades lacradas na atualidade
jornalística mais compressiva, incapazes de
desligar-se mesmo hipoteticamente dos preconceitos
contemporâneos, pudessem nos ensinar alguma coisa
sobre o supratemporal e o eterno.
Para quem enxerga alguma coisa nesses domínios, há uma
diferença abissal entre o mero "sentimento
religioso'', fato imanente à psique humana, e o ato
espiritual propriamente dito, cujo alcance se prolonga
para muito além dos limites da subjetividade
individual ou coletiva e chega a tocar um outro plano
de existência, que nem por invisível é menos real e
objetivo do que este mundo nosso de pedra e sangue.
Uma das mais notórias ilustrações dessa distinção é,
precisamente, a diferença entre a pura força
auto-hipnótica da sugestão coletiva e o efeito físico
que certas preces e ritos determinam sobre a natureza
em torno, imune, por definição, às flutuações da
opinião pública.
Em última instância, como já ensinava o episódio de
Moisés ante os magos do Egito, é o domínio sobre o
mundo físico que atesta a diferença entre o carisma em
sentido estrito _dom de Deus e poder espiritual
autêntico_ e o "carisma'' em sentido sociológico,
redutivo e caricatural, vulgar atração mútua entre as
massas e seu ídolo.
Mas essa diferença é, por definição, invisível à
mentalidade radicalmente mundanizada das classes
falantes, um clero leigo empenhado em tampar o céu
para que, na escuridão resultante, sua potência
iluminista de meio watt pareça um verdadeiro sol.
Eis por que essas pessoas chegam ao supremo ridículo
de atribuir o efeito dos ritos sobre a natureza ao
funcionamento imanente da psique e da sociedade, como
se árvores e nuvens, bichos e galáxias fossem regidos
pelas leis da nossa vã sociologia. Explicar o objeto
pelo sujeito, o transcendente pelo imanente é o mesmo
que conferir às leis da eletrotelefonia o poder de
determinar o que se diz numa conversa telefônica.
Mas, na ânsia de negar, o orgulho moderno não hesita
em afundar no ilogismo mais estúpido. O apego à
modernidade científica torna-se, então, uma crendice
supersticiosa que faz um sujeito regredir à noite dos
tempos e pensar como um neandertalóide.
Não, caros intelectuais, vocês não têm nenhuma
explicação válida para a chuva produzida em Roraima
pelas preces dos dois pajés, e o ar de superioridade
fingida com que falam do que não entendem só mostra
que sua ciência é bem menos confiável que a deles.
Certas tribos brasileiras conservam uma intensidade de
vida religiosa e o domínio de conhecimentos
espirituais que de há muito se tornaram, para a
intelectualidade citadina, misteriosos e
incompreensíveis. Os índios não fazem mistério algum
em torno desses conhecimentos, assim como os santos da
igreja, os gurus vedantinos, os grandes mestres do
budismo. É a malícia temerosa do observador que torna
obscuro e ameaçador o luminoso e evidente e que, não
suportando a luz, busca reduzi-la à refração das suas
próprias trevas.
Malgrado o empobrecimento de suas culturas, os índios
são no Brasil de hoje um dos últimos redutos de uma
espiritualidade autêntica, feita de um conhecimento
que é objetividade, simplicidade e poder; nada tem a
ver com o misto de sentimentalismo e exaltação
ideológica apresentado como a única religião possível
por uma pseudociência cega e pretensiosa, por todo um
cortejo desprezível de padrecos e acadêmicos incapazes
de enxergar além das paredes do poço gnosiológico em
que se enfurnam.
Se os dois pajés fizeram o que a gente da cidade não
pôde fazer, o mais elementar bom senso aconselharia
admitir a hipótese de que sabem algo que ela não sabe.
Se ela exclui essa hipótese "in limine" e ainda fala
deles com despeito, isso, além de constituir uma
ingratidão para com benfeitores _um dos "cinco pecados
que bradam aos céus'', segundo a Bíblia_, é um vexame
intelectual que ilustra de maneira especialmente
eloquente a distância invencível que existe entre o
saber e a pose.
Olavo de Carvalho, 50, jornalista e escritor, é autor
de "O Jardim das Aflições: Ensaio sobre o Materialismo
e a Religião Civil'' e de "O Imbecil Coletivo:
Atualidades Inculturais Brasileiras''

Conhecimento X Sabedoria

Rubem Alves:
Pediram-me que escrevesse sobre simplicidade e sabedoria. Aceitei alegremente o convite sabendo que, para que tal pedido me tivesse sido feito, era necessário que eu fosse velho.Os jovens e os adultos pouco sabem sobre o sentido da simplicidade. Os jovens são aves que voam pela manhã: seus vôos são flechas em todas as direções. Seus olhos estão fascinados por 10.000 coisas. Querem todas, mas nenhuma lhes dá descanso. Estão sempre prontos a de novo voar. Seu mundo é o mundo da multiplicidade. Eles a amam porque, nas suas cabeças, a multiplicidade é um espaço de liberdade. Com os adultos acontece o contrário. Para eles a multiplicidade é um feitiço que os aprisionou, uma arapuca na qual caíram. Eles a odeiam, mas não sabem como se libertar. Se, para os jovens, a multiplicidade tem o no me de liberdade, para os adultos a multiplicidade tem o nome de dever. Os adultos são pássaros presos nas gaiolas do dever. A cada manhã 10.000 coisas os aguardam com as suas ordens (para isso existem as agendas, lugar onde as 10.000 coisas escrevem as suas ordens!). Se não forem obedecidas haverá punições.No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.Jesus contava parábolas sobre a simplicidade. Falou sobre um homem que possuía muitas jóias, sem que nenhuma delas o fizesse feliz. Um dia, entretanto, descobriu uma jóia, única, maravilhosa, pela qual se apaixonou. Fez então a troca que lhe trouxe alegria: vendeu as muitas e comprou a única.Na mu ltiplicidade nos perdemos: ignoramos o nosso desejo. Movemo-nos fascinados pela sedução das 10.000 coisas. Acontece que, como diz o segundo poema do Tao-Te-Ching, “as 10.000 coisas aparecem e desaparecem sem cessar.“ O caminho da multiplicidade é um caminho sem descanso. Cada ponto de chegada é um ponto de partida. Cada reencontro é uma despedida. É um caminho onde não existe casa ou ninho. A última das tentações com que o Diabo tentou o Filho de Deus foi a tentação da multiplicidade: “Levou-o ainda o Diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória e lhe disse: ‘Tudo isso te darei se prostrado me adorares.’“ Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue o “muitos“ é um coração fragmentado, sem descanso. Palavras de Jesus: “De que vale ganhar o mundo inteiro e arruinar a vida?“ (Mateus 16.26).O caminho da ciência e dos saberes é o caminho da multiplicidade. Adverte o escritor sagrado: “Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne“ (Eclesiastes 12.12). Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas. O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: “Cheguei, finalmente, ao lar“. Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa.Diz o Tao-Te-Ching: “Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa.“Diz T. S. Eliot: “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?“Diz Manoel de Barros: “Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha.“Sabedoria é a arte de degustar. Sobre a sabedoria Nietzsche diz o seguinte: “A palavra grega que designa o sábio se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphus, o homem do gosto mais apurado. “A sabedoria é, assim, a arte de degustar, distinguir, discernir. O homem do saberes, diante da multiplicidade, “precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço.“ Mas o sábio está à procura das “coisas dignas de serem conhecidas“. Imagine um bufê: sobre a mesa enorme da multiplicidade, uma infinidade de pratos. O homem dos saberes, fascinado pelos pratos, se atira sobre eles: quer comer tudo. O sábio, ao contrário, para e pergunta ao seu corpo: “De toda essa multiplicidade, qual é o prato que vai lhe dar prazer e alegria?“ E assim, depois de meditar, escolhe um...A sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria. Nascemos para a alegria . Não só nós. Diz Bachelard que o universo inteiro tem um destino de felicidade.O Vinícius escreveu um lindo poema com o título de “Resta...“ Já velho, tendo andado pelo mundo da multiplicidade, ele olha para trás e vê o que restou: o que valeu a pena. “Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas...“ “Resta essa capacidade de ternura...“ “Resta esse antigo respeito pela noite...“ “Resta essa vontade de chorar diante da beleza...“. Vinícius vai, assim, contando as vivências que lhe deram alegria. Foram elas que restaram.As coisas que restam sobrevivem num lugar da alma que se chama saudade. A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovadas foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo. É para isso que necessitamos dos deuses, para que o rio do tempo seja cir cular: “Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás...“ Oramos para que aquilo que se perdeu no passado nos seja devolvido no futuro. Acho que Deus não se incomodaria se nós o chamássemos de Eterno Retorno: pois é só isso que pedimos dele, que as coisas da saudade retornem.Ando pelas cavernas da minha memória. Há muitas coisas maravilhosas: cenários, lugares, alguns paradisíacos, outros estranhos e curiosos, viagens, eventos que marcaram o tempo da minha vida, encontros com pessoas notáveis. Mas essas memórias, a despeito do seu tamanho, não me fazem nada. Não sinto vontade de chorar. Não sinto vontade de voltar.Aí eu consulto o meu bolso da saudade. Lá se encontram pedaços do meu corpo, alegrias. Observo atentamente, e nada encontro que tenha brilho no mundo da multiplicidade. São coisas pequenas, que nem foram notadas por outras pessoas: cenas, quadros: um filho menino empinando uma pipa na pra ia; noite de insônia e medo num quarto escuro, e do meio da escuridão a voz de um filho que diz: “Papai, eu gosto muito de você!“; filha brincando com uma cachorrinha que já morreu (chorei muito por causa dela, a Flora); menino andando à cavalo, antes do nascer do sol, em meio ao campo perfumado de capim gordura; um velho, fumando cachimbo, contemplando a chuva que cai sobre as plantas e dizendo: “Veja como estão agradecidas!“ Amigos. Memórias de poemas, de estórias, de músicas.Diz Guimarães Rosa que “felicidade só em raros momentos de distração...“ Certo. Ela vem quando não se espera, em lugares que não se imagina. Dito por Jesus: “É como o vento: sopra onde quer, não sabes donde vem nem para onde vai...“ Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem. Mas só dominam essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade. Porque a alegria só mora nas coisas simples. (Concerto para corpo e alma, pg. 09.)

Jornada Xamânica - Léo Artese entrevista Sandra Ingerman


Tive o prazer de entrevistar Sandra Ingerman MA, autora de 8 livros, incluindo The Soul Retrieval - O Resgate da Alma, Medicina da Terra, jornada xamânica: Um Guia para Iniciantes, e Cure Pensamentos Tóxicos.
Suas Novas Obras :Awakening to the Spirit World: The Shamanic Path of Direct Revelation e um novo audio CD ;Shamanic Meditations: Guided Journeys for Insight, Vision, and Healing, que será lançado.
Sandra ministra workshops internacionais de jornada xamânica, cura e ensina a reverter a poluição ambiental através de métodos espirituais.
Ela também treinou e fundou uma aliança com mais de 100 Professores da Medicine for the Earth =Medicina para a Terra. Em 2004, ela iniciou programas de Treinamento de Professores em jornada xamânica e cura xamânica.
Sandra Ingerman é conhecida por ligar métodos ancestrais de diferentes culturas à nossa cultura moderna, adaptadas às necessidades de nosso tempo.
É terapeuta licenciada de Casamento e Família, além de Consultora de Profissionais da Saúde Mental. Ela também é um perita em estresse pós-traumático e certificada em gestão de estresse agudo traumático.
Para ler os artigos escritos por Sandra, para ouvir as entrevistas, e para obter mais informações sobre o trabalho de Sandra
site http://www.sandraingerman.com/.
Neste site poderá também ler a coluna mensal de Sandra : The Transmutation News.
Locais de práticas ou instrutores, visitar http://www.shamanicteachers.com/.
Sandra é devotada a ensinar as pessoas de que forma podemos juntos formar uma comunidade global e trazer mudanças positivas para o Planeta Léo Artése: Saudações Sandra. Uma honra fazer esta entrevista.
Léo Artése: Você poderia compartilhar algo sobre seu passado: a infância, família, educação?
Sandra Ingerman: Eu nasci no Brooklyn, Nova York, no E.U.A.. Meus pais tiveram que trabalhar durante longas horas para sustentar eu e meu irmão então ficava muito sózinha . Em muitos níveis, foi um presente para mim, que era uma criança muito criativa e tinha profundo amor pela natureza.
Eu gostava de ficar na rua cantando para as árvores, pássaros e para a terra. E a noite eu gostava de olhar para a lua. Quando eu não estava na escola eu gostava de ficar na rua e também gostava de escrever histórias.
Eu sempre fui uma criança muito espiritual e tive muitas experiências religiosas muito cedo na vida. Quando eu tinha sete anos de idade foi atingida por um raio e tive minha primeira experiência próxima da morte. Embora eu não lembre de nenhum dos detalhes desta experiência creio que afetou minha vida e meu destino. Mais tarde, na minha vida, eu tive mais duas experiências de quase morte, que me levou mais profundamente até os reinos espirituais.
No início dos anos 1970 sai de Nova York e fui para San Francisco em busca de uma vida que tivesse mais significado para mim. Acabei indo para San Francisco State University onde eu recebi meu bacharelado de Biologia com especialização em Biologia Marinha. Originalmente, eu ia para o meu mestrado em Biologia e quis fazer a minha tese sobre a reversão da poluição de rios. Mas naquele momento eu decidi trabalhar com pessoas. Eu sempre tive um profundo amor por pessoas e mesmo sendo jovem algumas pessoas pessoas costumaram a me parar na rua para contar os seus problemas. Eu sempre tive um desejo de ajudar a aliviar o sofrimento dos outros, por isso mudei o curso da minha educação e recebi o meu mestrado em Counseling Psychology. Eu agora sou terapeuta licenciada de Casamento e Família, além de Consultora de Profissionais da Saúde Mental no Novo México, onde tenho vivido durante 25 anos.
Léo: Como você conheceu o caminho xamânico e tornou-se uma xamã?
Sandra: Enquanto ia para o meu mestrado em "Counseling Psychology" (Aconselhamento Psicológico), me inscrevi para começar um curso, uma jornada xamânica. Isso foi em 1980. No curso aprendi a encontrar-me com meus espíritos auxiliares. Eu tive uma experiência muito profunda nesse curso.
Sempre dizia que eu era profundamente espiritual, mas não tinha forma de trabalhar com a minha espiritualidade. O Xamanismo deu-me uma forma de trabalhar. Eu adorava conhecer e trabalhar com meus espíritos auxiliares. E também adorava o xamanismo ser um caminho de revelação direta, onde cada pessoa está habilitada a receber os seus próprios ensinamentos espirituais e revelações.
Eu continuei a prática da jornada xamânica e em determinado momentos começei a trabalhar com os clientes para ensiná-los como viajar. Isso me levou a ministrar cursos de jornada xamânica por volta de 1982.
Fico encantada por meu livro "Shamanic Journeying: A Beginner's Guide" ( Jornada Xamanica - um Guia para Principiantes - ed. Vida E Consciencia )está sendo agora publicado no Brasil onde inclui todas as instruções necessárias para participarem na jornada xamânica.
Como eu mantive a prática da jornada e contínua e alguns dos meus estudos xamânicos eu comecei a aprender como os xamãs curam. Com o tempo, comecei uma prática de cura, onde obtive excelentes resultados ajudando a curar pessoas de ambas as doenças, físicas e emocionais. E o meu apreendizado de cura xamânica continua até hoje.
Eu não chamo a mim mesma de xamã. Desde que eu aprendi que se auto-intitular xamã é se gabar de um poder. E o universo não suporta esse tipo de comportamento. Uma comunidade pode chamar alguém de um xamã quando um praticante obtém ótimos resultados em ajudar os outros.
Léo: Como é seu trabalho com a jornada de resgate da alma ?
Sandra: Xamãs olham para a forma espiritual da doença que se manifesta em um nível emocional ou físico. Quando eu estava fazendo a pesquisa para meu livro Soul Retrieval: Mending the Fragmented Self, ( O Resgate da Alma - a Experiencia Xamânica de Harmonização do eu Interior Fragmentado) descobri que a maioria das culturas xamânicas ao redor do mundo acreditam que a doença é devido à perda da alma. Acredita-se que sempre que sofremos um trauma físico ou emocional um pedaço de nossa alma abandona o corpo para sobreviver à experiência. A definição de alma que estou usando é a alma nossa essência, força vital, a parte de nossa vitalidade que nos mantém vivos e próspera.
Os tipos de trauma que poderiam causar a perda da alma em nossa cultura seria algum tipo de abuso: sexual, físico ou emocional. Outras causas poderiam ser um acidente, estar em uma guerra, ser vítima de um ato terrorista, agir contra nossa moral, estar em um desastre natural (um incêndio, furacão, terremoto furacão, etc), cirurgia, vícios, divórcio, ou morte de um ente querido. Qualquer evento que provoque choque poderia causar a perda da alma. E o que pode causar a perda da alma em uma pessoa pode não causar a perda da alma em outra. Xamãs acreditam que despertadores de relógio podem causar a perda da alma. Acho que todos nós sabemos o que significa.
É importante entender que a perda da alma é uma coisa boa que nos acontece. É como sobrevivemos a dor. Se eu estivesse em uma colisão frontal do carro, o último lugar que eu gostaria de estar seria no ponto de impacto onde está no meu corpo. Minha psique não poderia suportar esse tipo de dor. Então, nossa psique tem seu brilhante mecanismo de auto-proteção onde uma parte da nossa essência ou alma sai do corpo de modo que não sentimos o impacto da dor.
Na psicologia tratamos isso como dissociação. Mas na psicologia não falamos sobre o que desagrega, quando essa parte vai. No xamanismo, nós sabemos que uma parte da alma deixa o corpo e vai para um território que os xamãs chamam de realidade não ordinária, onde espera até que alguém intervenha nos reinos espirituais e facilite seu retorno.
Embora a perda de alma seja um mecanismo de sobrevivência, o problema, do ponto de vista xamânico, é que a parte da alma que ficou geralmente não volta por conta própria. A alma pode se perder, roubada por outra pessoa ou por não saber que trauma já passou e está seguro para voltar.
Foi sempre o papel do xamã entrar em estado alterado de consciência e rastrear onde a alma fugiu para a realidades alternativas e devolvê-lo ao corpo do paciente.
Há muitos sintomas comuns de perda de alma. Algumas das mais comuns é a dissociação onde a pessoa não se sente plenamente em seu corpo, viva e totalmente engajada na vida. Outros sintomas incluem depressão crônica, tendências suicidas, síndrome de estresse pós traumático, problemas de deficiência imunológica e aflição que simplesmente não se cura. O Vício também sinal de perda da alma e de como procurar fontes externas para preencher os espaços vazios dentro de nós seja por meio de substâncias, comida, relacionamentos, trabalho, ou a compra de objetos materiais. Sempre que alguém diz _"eu nunca mais serei a mesma"_ quando um determinado evento não ocorreu de uma maneira boa, a perda da alma provavelmente ocorreu.
Você pode realmente ver a perda da alma pela forma como nós gastamos dinheiro ao longo da vida. Sempre que alguém diz que temos que matar outras formas de vida para o ganho material, essa pessoa sofre de perda de alma. Sempre que alguém sente que comprar um carro ou mais objetos materiais vai trazer a felicidade, está sofrendo a perda da alma.
Como você pode ver há uma grande quantidade de perda de alma planetária atualmente, veja como nos comportamos uns com os outros e com o resto da vida.
Léo: Você considera o coma perda de alma?
Sandra: Coma também é perda de alma. Mas, no coma há mais alma fora do corpo do que no corpo. Coma é muito complicado trabalhar atualmente, por muitas razões. É preciso muita habilidade do xamã para descobrir o caminho por onde a alma está tentando ir. A alma quer voltar a entrar no corpo? Ou será que ele precisar de ajuda para mover-se sobre o que levaria à morte do paciente?
Léo: Você acha que o trabalho xamânico pode realmente "curar" as pessoas? Como?
Sandra: A razão em que eu acredito tão fortemente no poder de cura do xamanismo é porque eu tenho visto milhares de pessoas serem curadas por este trabalho. Como seres humanos somos corpo, mente e espírito. No mundo ocidental, quando as pessoas começaram a voltar para a ciência, paramos de olhar as causas espirituais da doença e para os métodos espirituais de cura.
Com a cura xamânica perdeu o poder e as partes alma são devolvidos para a pessoa. Qualquer energias espirituais inoportunas ou bloqueios espirituais são retirados do corpo.
Quando as pessoas estão perdendo poder, alma e / ou ter bloqueios espirituais que possam ter queixas, como depressão ou outros problemas emocionais e uma série de doenças físicas que vêm de um sistema imunológico comprometido.
Hoje é tempo no Planeta para integrar o trabalho de cura espiritual, juntamente com medicamentos e psicoterapia.
Léo: Você tem uma história sobre uma mulher com Aids, para quem você fez a recuperação da alma? Você pode dizer algo sobre este caso?
Sandra: Em 1991 eu trabalhei com uma mulher que tinha AIDS e meu trabalho com ela influenciou profundamente os meus ensinamentos e escritos no futuro. Ela veio até a mim e parecia muito perto da morte. Ela estava apenas na casa dos trinta. Antes da minha viagem (xamanica) para ela eu sabia que ela tinha tido duas outras doenças graves em sua vida que tinha sido curadas.
Viajei e fiz um resgate da alma para ela. Eu trouxe de volta três partes de sua alma, mas só uma parte que eu quero compartilhar. Para esta parte da alma continha um ensinamento profundo.
A viagem foi muito colorida. Eu tendo a ter clariaudiencia e clarisciência . Mas esta viagem foi muito visual e as cores e imagens eram como um desenho animado. Eu vi a paciente com menos de três anos andando de triciclo pela rua. O sol brilhava, ela tinha grandes olhos e um sorriso feliz em seu rosto. Os carros e as casas eram todas as cores brilhantes e todos eles rostos com grandes sorrisos e eles alegres oscilavam balançando de traz para a frente . Os pássaros estavam cantando. As árvores estavam dançando. E a paciente estava pedalando anaixo na rua sem nenhuma expressão em seu rosto.
Meu espírito guardião, que está comigo em todos os trabalhos de cura, deu-me uma mensagem. Ele disse que a causa da doença do paciente foi apatia e que a cura para sua doença era a paixão. E que a sua lição nesta vida ao ter diferentes doenças que ameaçam a vida era sabere o que acontece quando uma outra forma de vida em seu corpo tem mais paixão pela vida que você.
Terminei meu trabalho de cura e dei-lhe algumas coisas para cuidar de si mesma. O paciente morreu alguns meses mais tarde, mas senti o trabalho que fizemos juntos nos aproximou e trouxe um ensinamento precioso e eu me apaixonei sobre a partilha do mundo.
Para pessoas, no mundo de hoje são tão deprimido, eles não têm significado. Mas os vírus e bactérias que estão em torno atualmente tem muita paixão pela vida. E assim eu ensino os praticantes de cura que é fundamental para ajudar as pessoas a encontrar o que irá trazer paixão e sentido para que eles possam prosperar nos próximos tempos.
Léo: Conte-nos sobre a Aliança Internacional de Medicina dos Professores da Terra e os professores xamânicos
Sandra: Mais de dez anos atrás eu tive uma visão. E nesta visão, vi que mais e mais pessoas iam ser atraídas para aprender sobre práticas espirituais. Trabalhar o espiritual têm grande poder para criar mudanças positivas no planeta. Mas nem todos tinham a disponibilidade de viajar para oficinas. Então eu vi que era importante plantar uma "semente" em áreas locais com grandes professores. Há anos tenho formado pessoas muito experientes para ensinar a Medicina para a Terra e Jornada Xamânica e Cura. Vou explicar a medicina do trabalho da Terra, mais tarde, nesta entrevista.
Eu também sinto que é tão importante para todos as tradições espirituais trabalharem em conjunto, colaboração e cooperação. Há um poder tão grande disponível quando concentramos nossas energias em vez de avançar para um lugar de divisão ou brigar por um trabalho melhor ou mais poderoso. Esta divisão diminui o poder que podemos criar juntos, como uma comunidade espiritual global.
Antes de começar a formação dos professores, eu tive um sonho numa noite poderosa. No sonho, foi-me dito para criar uma aliança de professores que trabalhariam em cooperação e colaboração. E esta tem sido a fonte de inspiração para os professores e os profissionais trabalharem em conjunto com apoio positivo, criando mudanças consciente neste momento crucial no planeta.
Eu tenho um site http://www.shamanicteachers.com/ onde há lista uma aliança internacional de professores que treinaram comigo para ensinar. Eu tenho um professor brilhante Heather Cumming, que vive a maior parte do tempo no Brasil agora, mas sua informação de contato está listada em Connecticut. Eu tenho uma professora Roberta Rivin que vive parcialmente no Brasil. Ela ensina no Brasil, quando solicitada.
Léo: Como vê a expansão do xamanismo contemporâneo nos praticantes ocidentais?
Sandra: Atualmente há um renascimento dramático do xamanismo no Ocidente, com uma ampla gama de pessoas integrando as práticas xamânicas em suas vidas, incluindo estudantes, donas de casa, professores, psicoterapeutas, juristas, enfermeiros, médicos, políticos e cientistas.
Em nosso mundo ocidental hoje, definida por um sentimento que permeia a separação e alienação, um número crescente de pessoas estão experimentando uma profunda necessidade interna de se sentir essa conexão direta transpessoal com a teia da vida.
Xamanismo ensina-nos que estamos ligados aos ciclos da natureza. As pessoas são atraídas para o xamanismo para orientação de como viver em conformidade com a natureza de novo e fluir com o rio da vida.
Jornada xamânica é um método de revelação direta e é usado para acesso pessoal e orientação espiritual de cura para ajudar os outros, o planeta e se reconectar com a natureza seus ciclos e ritmos.
A viagem xamânica é uma maneira de nos sentir motivado em nossas vidas. Ela nos proporciona uma maneira de ter uma revelação direta e é uma abordagem simples para acessar orientação espiritual. Começamos a aprender que temos a capacidade de resolver problemas por nós mesmos, o que levanta nossa auto-estima de uma maneira fundamentada.
Encontrar nossos espíritos auxiliares nos faz sentir valorizados e conectados com o espírito que vive em todas as coisas. Nos sentimos amados pelo poder do universo e nunca nos sentimos sozinhos novamente.
Xamanismo nos ensina que tudo o que existe é vivo e tem um espírito. Xamãs falam de uma teia da vida que conecta toda a vida ao espírito que vive em todas as coisas. Tudo na terra está interligado e qualquer crença de que estamos separados de outras formas de vida, incluindo a terra, as estrelas, o vento, etc é apenas uma ilusão. E é papel do xamã na comunidade manter a harmonia e o equilíbrio entre a humanidade e as forças da natureza.
Eu não acredito que todo mundo quer aprender a trabalhar com espíritos auxiliares. Mas eu acredito que a consciência de massa não precisa aprender sobre a teia da vida e do campo unificado. Se nós simplesmente honrarmos, respeitar, e dar graças à terra, ar, água e sol e para a vida que eles nos dão, eu acho que veríamos dramáticas mudanças positivas no planeta. E quanto, ao Ocidente, lembre-se que não estamos separados do resto da vida ou do que os xamãs chamam de "o espírito que vive em todas as coisas" . Vamos começar a honrar toda a vida. E é assim que a paz voltará a terra mais uma vez.
Xamanismo nos ensina sobre a preciosidade da vida e quando podemos dar graças diariamente, durante nossas vidas criando espaço para coisas maravilhosas acontecerem.
Léo: Muitas pessoas ficam fascinadas com o xamanismo e começar a praticá-lo intensamente. Alguns acabam guiando as suas próprias sessões. Quando você acha que uma pessoa está pronta para fazer isso? Existem habilidades fundamentais um deve ter para guiar os outros?
Sandra: Como eu disse anteriormente o xamanismo é uma prática de revelação direta. E isto significa que os praticantes têm o poder de receber as suas próprias orientações e métodos para a cura de seus espíritos auxiliares.
Mas é muito importante compreender o trabalho dos xamãs é realizado com espiritos auxiliares s. A habilidade chave é certificar-se que sabe como mover seu ego do caminho e se tornar o que é chamado na etnográfico "osso ocos" . Desta forma você trazer através do poder do seu espíritos auxiliares e o poder do Universo.
É preciso tempo e experiência para aprender a distinguir o que está vindo de você e de sua mente egóica e que vem dos seus espiritos auxiliares. E para executar o trabalho, a verdadeira cura xamânica, você deve saber como se conectar com seus espíritos auxiliares.
Em tempos antigos xamãs foram os médicos e psicólogos de suas comunidades. Era também a sua responsabilidade prover da fonte o alimento divino divino para o povo. Se o xamã não podia curar as pessoas e encontrar fontes de alimentos as pessoas morriam. Xamanismo sempre foi um resultado orientando a prática . Em minhas oficinas insisto, uma e outra vez, que quando você começa a viagem para si e para outros,deve estar vigilante sobre a observação dos resultados que obtém. Ao viajar faz sua vida mudar de uma forma positiva? Quando você viaja, os seus pacientes são curados e tem mudanças positivas em suas vidas a partir do trabalho que você fez em seu nome?
Temos dque ser brutalmente honestos conosco sobre a observação dos resultados que obtemos. E também os xamãs tinham especialidades, como ser recuperar alma, realizar consultas, extrair os bloqueios espirituais, orientação para realidades transcendentes, ou adivinhando as informações para os outros. Devemos ser diligentes em observar quais são os nossos dons para executar trabalhos obter os melhores resultados.

Léo: Como você vê a relação entre xamanismo e terapia?
Sandra: Como eu disse anteriormente xamanismo trabalha com o aspecto espiritual da doença. Assim, por exemplo ao fazer terapia com uma pessoa que está sofrendo de perda de alma, muitas vezes o terapeuta tem problemas para obter bons resultados porque o terapeuta está a trabalhar com alguém "que não está em casa" ou que está fora de seu corpo.
Descobrimos que ao realizarmos uma recuperação da alma o paciente avança rapidamente em seu processo terapeutico de cura.
É importante integrar a cura espiritual com psicoterapia e medicamentos. Trata-se de "e" em vez de "ou". Temos de tratar o corpo, mente e espírito.
Léo: Como você acha que o xamanismo pode nos ajudar a lidar com a atual crise ecológica no mundo?
Sandra: Todas as tradições espirituais ensinam que tudo se manifesta no plano espiritual antes de se manifestar no físico. Aqui e agora temos o poder para criar mudanças no planeta através da incorporação de práticas espirituais em nossas vidas.
Claro que devemos mudar nossa relação com o meio ambiente e para de jogar poluentes nos elementos que nos dão vida. Precisamos aprender a honrar e respeitar a terra como as culturas xamânicas fizeram por muitos milhares de anos. E ao mesmo tempo, podemos trabalhar espiritualmente em nome da Terra.
Xamanismo nos ensina que os pensamentos são coisas. No xamanismo é ensinado que as palavras e pensamentos podem ser usadas para a cura, maldição ou para criar doenças. Acredita-se também que o mundo em que vivemos é um sonho. Atualmente, muitos xamãs dizem que nós estamos sonhando o sonho errado.
Através da prática do xamanismo nós podemos caminhar juntos como uma comunidade mundial centrando a nossa luz espiritual e os nossos pensamentos e palavras para criar um planeta limpo e saudável.
Léo: Como é possível reverter a poluição ambiental através de métodos espirituais?
Sandra: Minha prática xamânica pessoal levou-me a explorar com os espíritos como reverter o problema da poluição ambiental. Uma das mensagens mais importantes que recebi em mais de meus vinte anos de caminhada sobre isso é que foi " o que nos tornamos é o que muda o mundo e nosso meio ambiente e não o que fazemos."
É importante reconhecer que o nosso mundo exterior é apenas um reflexo do nosso estado de consciência. Isto significa que a poluição ambiental no mundo é o espelhamento, de volta para nós, da toxicidade de nosso interior. Harmonia dentro criará harmonia fora. Assim, o verdadeiro trabalho é aprender a mudar os nossos pensamentos, atitudes e crenças. Nós realmente temos que trabalhar com "a alquimia da alma" para sermos realmente capazes de mudar o nosso ambiente interno como o nosso estado interior do ser, que é refletido no mundo exterior. A definição literal da alquimia "está trabalhando dentro e através das densas trevas para dentro." Este é um trabalho grande e envolve confiar nas práticas espirituais que devemos nos envolver diariamente e ao longo do dia.
Histórias que vêm da Bíblia, da Cabala, e de vários taoístas, hindus, yoga, alquimia, egípcios e trabalhos xamânicos, mostram que os milagres eram uma ocorrência diária. Eu pesquisei diferentes tradições espirituais para me dar pistas sobre como milagres foram realizados por culturas antigas, místicos e santos. Lendo sobre os milagres, uma fórmula de elementos que parecem fazer parte de todos os milagres começaram a se formar. A fórmula que veio para mim, é um holograma. Os elementos não podem ser tomados isoladamente, mas combinadas entre si, criar transmutação. A definição de transmutação que estou usando é a capacidade de mudar a natureza de uma substância. O trabalho de mudança ambiental é a forma de efetuar a mudança de substâncias tóxicas em substâncias neutras.
A fórmula que cheguei é:
Intenção + União + Amor + Foco + Concentração + Imaginação + Harmonia = Transmutação
Para todos os milagres a acontecer, devemos realizar uma forte intenção do que nós queremos ver acontecer. Intenção cria ação. Isto envolve concentração. Nós sabemos que a chave para o sucesso da prática espiritual é a capacidade de concentração. Temos também de ser capazes de manter um foco em nossas metas de curto e longo prazo.
Todos os milagres envolvem a união com uma força divina. Na Bíblia, quando Jesus diz para curar em meu nome verdadeiro aramaico, a tradução disto é conhecer a Deus e a curar como Deus faz. Isto significa que para ter união com a força criadora da vida é essencial para a verdadeira cura ter lugar. Sai Baba, um guru na Índia, é conhecido por seus atos miraculosos e habilidades de cura. Ele diz:
"A única diferença entre eu e você é que eu sei quem eu sou e você não"
Ou seja, ele sabe que é divino. Estes são apenas alguns exemplos do que os místicos dizem sobre diferentes uniões.
O amor é um ingrediente essencial em todos os milagres, pois é só o amor cura. Técnicas não cicatrizam. Onde houver um coração aberto haverá uma força para trazer essa energia milagrosa e mágica. O amor é o grande transformador.
Já mencionei a harmonia, como é conhecido na prática da alquimia que irá criar harmonia dentro e harmonia fora. Desarmonia cria doença; harmonia cria beleza e saúde.
A imaginação é outra chave na realização do milagre da transmutação, temos que ser capazes de imaginar um ambiente puro e limpo e que suporta toda a vida. Caroline Casey, um astrólogo americano, diz: "A imaginação coloca as trilhas para que o trem da realidade conduza." Com a nossa imaginação, temos a capacidade de esculpir o nosso mundo. Para adicionar a esta fórmula há mais princípios para se lembrar. Da forma como mudamos nossa percepção, mudarmos a nossa realidade Para alterar a nossa percepção, para criar uma realidade de um ambiente limpo, temos que ser capazes de ver a beleza em todas as coisas. Para ver a beleza em todas as coisas, temos que viver em um estado de apreço e gratidão.
Há duas fases da obra. Uma fase do trabalho é aprender a reconhecer que somos mais do que um corpo, nossos pensamentos e nossas experiências passadas. Somos a luz espiritual e somos divinos em todos os momentos.
Não somos separados e sim conectados a uma fonte, uma teia da vida. Imagine uma mão onde um dos dedos cai no chão e pensa que pode ter uma vida independente, sem estar conectado ao corpo. Isso é o que está acontecendo hoje. A humanidade está agindo como os dedos separados que esqueceu a conexão com a fonte original da vida. Em nossos estados egóicos percebemos nós mesmos como separados uns dos outros e do resto da vida. Circunstâncias da vida e nossos relacionamentos com outros desencadearam pensamentos e sentimentos negativos. Como seres humanos, é também importante reconhecer que há energia atrás dos nossos pensamentos e sensações e que podemos distribuir a outros e no ambiente. Em culturas xamânicas entende-se que há uma diferença entre expressar raiva e enviar raiva.
É saudável ter uma série de pensamentos e emoções. O trabalho que devemos fazer é aprender a transmutar ou transformar a energia por trás de nossos pensamentos e emoções no amor e luz. Desta forma, poderemos sentir a profundidade dos nossos sentimentos,sem criar qualquer dano ao fazê-lo. Temos que reconhecer novamente como fizeram todas as culturas antigas, que as palavras são vibrações. E quando falamos em voz alta, enviamos uma vibração para o universo que irá se manifestar sobre os outros, para trás, para baixo, até nós.
Você pode se lembrar quando você era uma criança dizendo abracadabra . Esta é realmente uma frase em aramaico "Abraq ad habra" e traduz-se literalmente "Vou criar enquanto eu falo".
A segunda fase do trabalho é reunir a comunidade para fazerem cerimônias para reverter a poluição que temos criado. Meu livro de Medicina para a Terra: Como Transformar Toxinas Pessoais e Ambientais entra em detalhes sobre o material acima. Depois que eu escrevi o livro comecei alguns experimentos científicos para checar as práticas e o que escrevi sobre a vontade de realmente transmutar as toxinas. Eu tenho trabalhado com solo contaminando a água deionizada (água pura, sem sais minerais ) com hidróxido de amônio, um poluente comum e perigoso em nosso meio. Como o hidróxido de amônio é uma base forte, é fácil verificar a sua presença com o uso de faixas de pH. Eu tenho trabalhado com vários grupos de estudantes neste momento. Com todo o grupo com quem trabalhei utilizando os princípios que eu escrevi sobre a água, mudou um pH de 1-3 pontos para neutro. Nos preparamos para o dia, iniciamos a cerimônia e depois de 15-20 minutos já haviam mudanaças na água De um ponto de vista científico, isso seria visto como impossível.
Após estas experiências iniciais, comecei a usar uma câmara de visualização de descarga de gás, que é baseado no efeito Kirlian. Agora podemos tirar fotos da mudança na energia das substâncias presentes no nosso círculo. Além da água, temos colocado no círculo um pêssego, um pouco de terra de uma estrada e alguns biscoitos de queijo cheddar. Para ver algumas das fotos que tivemos você pode visitar http://www.medicinefortheearth.com/ e clique para ver os resultados.
É importante notar que, em nossas cerimônias, não manipulamos o ambiente. Não temos foco sobre as substâncias no altar do nosso círculo. Modificamo-nos com a compreensão de que o nosso mundo exterior nos refletirá através das modificações interiores que fizermos. Essa forma de percepção remonta aos princípio antigos e esotéricos de: "como encima...assim embaixo, como no interior...também fora".
Alquimistas não queriam atualmente transformar chumbo em ouro. A prática da alquimia na verdade, era sobre a mudança de "consciência chumbo" para levar à "*consciência luz de ouro*". Quando começamos a mudar a nossa consciência e entrar em contato com a luz dentro de nós, podemos efetuar grandes mudanças em nosso mundo exterior. É que nós nos tornamos que muda o mundo não é o que fazemos.
Toda a vida é feita de luz. Somos todos de luz. Tudo é luz. Lembrando isso podemos transmutar tudo em nosso ambiente externo e podemos tocar na pura Luz da Cura.
Léo: Você já visitou o Brasil? Você pretende vir?
Sandra: Visitei o Brasil três vezes e amei todas as minhas aventuras lá. As pessoas no Brasil são bastante especiais. Brasileiros transportam tanta vida e luz. Eu sei que as pessoas no Brasil enfrentam muitos desafios, tanto a nível económico como ambiental. Mas a amizade, vida, alegria e paixão que compartilham os brasileiros, simplesmente não vejo em outras partes do mundo. É um lugar muito especial para mim.
Neste momento estou cuidando de ambos os pais meus 95 anos de idade, por isso isso não posso viajar. Mas eu gostaria de voltar ao Brasil em algum momento.
Léo: Gostaria de dar uma mensagem final para os praticantes brasileiros do xamanismo?
Sandra: Estamos numa transição crucial no planeta. E há muito potencial para criar mudanças positivas agora. A morte de um velho modo de vida será substituída por uma maneira mais saudável e alegre da vida.
Quando olhamos para os povos indígenas, vemos uma luz e alegria brilhando através de seus olhos, que é um reflexo da rica paisagem interior em que vivem. É importante para todos nós, viajarmos interiormente e encontrar nossa luz espiritual e irradiar alegria e brilho para o mundo. Temos que unir a nossa luz espiritual e amor como uma comunidade global. Juntos, podemos criar um planeta saudável, bonito, vibrante e uma vida cheia de harmonia, amor, luz, alegria, paz e abundância para todos.
O trabalho espiritual que fazemos faz a diferença. Não se distraia com o que está acontecendo no mundo exterior. Fique focado no trabalho espiritual e crie uma visão saudável para o planeta. E lembre-se de juntar o seu coração com as milhões de pessoas que estão fazendo o mesmo. Fique focado em uma visão positiva para o presente e futuro!
Eu tenho uma coluna mensal que eu escrevo intitulado "The New Transmutação", que é afixada em http://www.sandraingerman.com/. Está traduzido para o Português, mas por uma mulher em Portugal. Nesta coluna eu tento manter inspirado o trabalho espiritual necessária para que a nossa comunidade global de agentes de mudança consciente possa continuar a crescer.

Léo : Querida Sandra, muito obrigado pelo seu tempo e atenção.
Foi ótimo entrevistar você e aprender com sua experiência. Você está convidada a vir ao Brasil e juntar-se a nós no Centro de Estudos de Xamanismo Voo da Águia, quando desejar. Será uma grande honra para nós.
Deus abençoe você ! Feliz 2010.
Sandra: Em algum momento eu gostaria de acompanhá-lo em seu centro de Centro de Estudos Voo da Águia. Como eu disse na entrevista, agora eu estou cuidando dos dos meus pais 95 de anos de idade. E eu viajei injtensamente por mais de vinte anos e preciso de uma pausa de viajar.
Mas quem sabe o que o futuro trará.
Muitas bênçãos para você para o Ano Novo!
Com carinho ! Sandra