domingo, 15 de janeiro de 2012

A Mente Oculta das Plantas


A mente oculta das plantas
A ciência descobre o surpreendente domínio
da consciência vegetal
Por José Tadeu Arantes
jtadeu@edglobo.com.br


Foto Kirlian de uma folha. Após décadas de pesquisas, os cientistas ainda não chegaram a uma explicação convincente para o halo luminoso que aparece em volta dos objetos
As plantas são capazes de perceber agressões à vida praticadas do outro lado da parede. E parecem ter consciência até mesmo de intenções ocultas na mente humana. Essa fantástica revelação — que foi tema do livro A Vida Secreta das Plantas, de Peter Tompkins e Christopher Bird, e inspirou o álbum de mesmo nome do compositor e cantor Steve Wonder — vem sendo confirmada por pesquisas científicas realizadas no Brasil. Ela faz parte de um conjunto de descobertas que deverá revolucionar a visão de mundo do próximo século e apontam para um relacionamento mais harmonioso entre o homem e a natureza.

Os xamãs — homens de conhecimento das comunidades pré-históricas — já sabiam que, por trás de seu aparente torpor, as plantas possuem uma vida secreta, cheia de percepções e atividades. Esse mundo oculto foi contactado, desde então, por visionários de diferentes épocas e lugares, como o místico alemão Jacob Boehme (1575-1624), que dizia ser capaz de penetrar a consciência das plantas.

A ciência materialista, porém, preferiu descartar esse tema, que desafiava sua limitada descrição da realidade. Ele co ntinuaria provavelmente ignorado se, em 1966, uma descoberta casual não tivesse rompido essa conspiração de silêncio. Naquele ano, Cleve Backster, então o maior especialista americano em detecção de mentiras, teve a estranha idéia de fixar os eletrodos de um de seus detectores numa folha de dracena, espécie tropical utilizada como planta ornamental.

Ele foi movido pela simples curiosidade, mas o que encontrou abalaria os fundamentos da visão de mundo dominante. Backster suspeitava que a planta reagisse a agressões reais à sua integridade física. Mas não podia imaginar que a simples idéia dessas agressões provocasse saltos violentos nos gráficos traçados pelo aparelho. Pois foi exatamente o que aconteceu quando ele pensou em queimar uma das folhas da dracena.

E voltou a acontecer quando se aproximou dela com uma caixa de fósforos, disposto a levar sua intenção à prática. A planta parecia ler o seu pensamento e sabia distinguir as ameaças reais da mera simulação.

Sem querer, Backster abrira a porta que dava entrada a uma realidade totalmente inesperada — e desconcertante.

A grande novidade do experimento foi ter propiciado um acesso direto às percepções das plantas sem a intermediação de sensitivos humanos: não era preciso ser paranormal para contactar o mundo da consciência vegetal. Esse ponto de vista foi reforçado, em julho último, por uma pesquisa feita na Universidade de Gant, na Bélgica.

Valendo-se de imagens em infravermelho, o pesquisador Dominique van der Straeten e sua equipe descobriram que as folhas de tabaco têm a capacidade de reagir com uma espécie de febre quando infectadas por certos tipos de vírus. Como relatado no jornal Nature Biotechnology, as folhas sofreram um aumento de temperatura de até 0,4 grau Celsius, oito horas antes dos efeitos dos vírus se manifestarem, num processo "fisiológico" semelhante ao do corpo humano.

Percepção básica
Atento a tais descobertas, um brasileiro resolveu fazer uma investigação parecida. Trata-se do engenheiro Arlindo Tondin, mestre em eletrônica pela Universidade de Nova York e um dos fundadores da Faculdade de Engenharia Industrial, de São Bernardo do Campo, SP.


O engenheiro Arlindo Tondin fixa eletrodos numa planta. A foto foi realizada no Laboratório de Metrologia Elétrica da FEI, em São Bernardo do Campo, SP. O local é blindado eletricamente para eliminar a influência dos ruídos externos
Tondin fixou eletrodos próximo à raiz e num dos galhos de um limoeiro. "Verifiquei que havia, entre os dois pontos, uma diferença de potencial elétrico da ordem de microvolts", informa. "Eu já desconfiava que a ascensão da seiva estivesse associada a um fenômeno elétrico e, para confirmar isso, liguei aos eletrodos uma pilha de 1,5 volt, de modo a intensificar a corrente na região. Resultado: os frutos do galho onde estava o eletrodo ficaram maiores e amadureceram mais rápido que os demais."

Estava provada a tese da seiva. O próximo passo era averiguar como as agressões externas afetavam a corrente elétrica que circula na planta. Para isso, o engenheiro utilizou um osciloscópio de raios catódicos de alta sensibilidade. "Conectei o osciloscópio aos eletrodos e, com uma vela, comecei a queimar algumas folhas. A resposta foi quase imediata: a imagem da tela do osciloscópio, que estava estacionária, passou a apresentar intensas variações." Tondin espantou-se com a reação provocada por seu ato. "Comecei a questionar até que ponto eu tinha o direito de agredir o vegetal e a natureza. E resolvi interromper a pesquisa."

O engenheiro convenceu-se da seriedade dos experimentos descritos em A Vida Secreta das Plantas. Num deles, também realizado por Backster, três plantas reagem à matança de camarões, cometida numa outra sala. Essa investigação foi conduzida com os cuida dos que caracterizam as melhores pesquisas científicas:


foram escolhidos, como vítimas, animais de grande vitalidade, pois já tinha sido notado que seres doentes ou a caminho da morte não eram capazes de estimular as plantas a distância;
para evitar que a subjetividade dos pesquisadores influísse nos resultados, os camarões eram despejados numa vasilha de água fervente por um mecanismo automático, longe das vistas de qualquer ser humano;
eliminaram-se as possibilidades de que o próprio funcionamento do mecanismo ou eventuais perturbações eletromagnéticas afetassem a forma dos gráficos;
as plantas, monitoradas por detectores, foram colocadas em três salas diferentes, submetidas às mesmas condições de temperatura e iluminação.
A análise dos gráficos mostrou que as plantas reagiam intensa e sincronizadamente à morte dos camarões — numa proporção que excluía qualquer hipótese de uma flutuação puramente casual das variáveis elétricas. Backster sentiu-se respaldado para formular a tese de que os vegetais, como todo organismo vivo, dispõem de uma percepção primária que lhes permite detectar, a distância, qualquer agressão à vida.

O
rganismos complexos

Apesar de sua aparência simples, as plantas são organismos altamente complexos. Uma planta pequena, como o pé de centeio, possui nada menos que 13 milhões de radículas em sua raiz. Estas são formadas, por sua vez, de 14 bilhões de filamentos, que, se fossem enfileirados um após o outro, cobririam uma extensão de 11 mil quilômetros, quase a distância de um pólo a outro.

Toda planta é dotada de uma malha elétrica em equilíbrio. Nas árvores, a corrente elétrica sobe pelo anel externo e desce pelo anel central. Como demonstrou a pesquisa do brasileiro Arlindo Tondin, essa corrente está associada ao fluxo da seiva.


Os corpos sutis

Jaqueira tratada com acupuntura: frutificação exuberante
Se, no homem, essa percepção básica nem sempre parece ocorrer, isso se deve ao filtro dos cinco sentidos, à força do pensamento racional, que obscurece as demais funções psíquicas, e a todo um condicionamento cultural, que determina o que deve ou não deve ser percebido. Como provaram outros experimentos, essa percepção a distância não é bloqueada por dispositivos de blindagem elétrica, como a gaiola de Faraday, nem por paredes de chumbo.

E Backster chegou a cogitar que ela não se limitaria aos organismos complexos, mas poderia descer aos níveis celular, molecular, atômico e até mesmo subatômico, perpassando toda a existência. Essa opinião ousada apresenta fortes afinidades com a hipótese da ressonância mórfica, do biólogo inglês Rupert Sheldrake, e com as revolucionárias descobertas sobre a consciência do psiquiatra checo Stanislav Grof (leia as reportagens "Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco" e "Consciência sem limites", em Galileu, números 91 e 94, respectivamente).

Em outras palavras, cada planta — para não dizer cada ente material — estaria associada a um invisível e impalpável campo de consciência. Tal idéia, que vem ganhando adeptos entre os cientistas de vanguarda, converge com a visão de todas as grandes tradições espirituais da humanidade. Estas são unânimes em considerar a consciência como um dado primário da existência e afirmam que, além de seus corpos físicos, os entes materiais são constituídos por uma série de "corpos sutis", encaixados uns dentro dos outros como bonecas russas.

As percepções descobertas por Backster e seus sucessores configurariam um esboço ou embrião daquilo que algumas tradições chamam de "corpo mental". Entre esse nível mais alto e o físico, as plantas, como todos os seres vivos, possuiriam um corpo intermediário, constituído pela rede de canais por onde flui a chamada "energia vital" (que corresponde ao prana dos indianos e ao qi dos chineses). Esse "corpo vital" é o objeto de práticas médicas como a acupuntura, que se destinam a desobstruir os canais e regularizar o fluxo da energia.

Vantagem econômica
A acupuntura em plantas vem sendo praticada com sucesso pelo médico Evaldo Martins Leite, presidente da Associação Brasileira de Acupuntura. Ele orientou, há cinco anos, uma pesquisa científica rigorosa, realizada pelo biólogo Alexandre Eustáquio de Sena, na Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte, MG. Sena dividiu uma plantação de feijão em duas partes iguais, tratando uma com acupuntura e mantendo a outra como grupo de controle. As plantas submetidas à acupuntura desenvolveram maior número de vagens, maior quantidade de grãos em cada vagem e maior peso por grão.

"Como ocorre nos homens e animais, os problemas de saúde que afetam os vegetais decorrem de um perturbação na circulação e distribuição do qi, a energia vital", explica Evaldo Martins Leite. "Isso resulta de um desequilíbrio dos princípios yang e yin (masculino e feminino)." O acupunturista ensina que as áreas de ramificação das plantas — isto é, onde os galhos saem dos troncos ou os ramos saem dos galhos — são regiões de concentração de qi.

Os ângulos externos formados nesses lugares são yang e os internos, yin. "A energia yang é responsável pelo crescimento da planta. A yin, pela produção de flores, frutos e sementes. A introdução de pregos, agulhas ou a simples raspagem das áreas correspondentes estimula um ou outro princípio e promove a função regida por ele", informa o acupunturista. Não é possível ativar as duas funções ao mesmo tempo.

A energia é uma só: se ela for desviada para o crescimento, a produção de frutos cairá, e vice-versa. Mas as vantagens — inclusive econômicas — oferecidas pela acupuntura em vegetais são importantes demais para serem tratadas como simples curiosidade.

Na Bahia, está em curso uma pesquisa visando aumentar a produção de látex nas seringueiras e o enraizamento dos toletes de cana-de-açúcar destinados ao plantio. Reconhecendo as dimensões sutis do mundo vegetal, o homem poderá estabelecer com ele um novo tipo de relacionamento, vantajoso para ambos.

Anote
Para ler:
A Vida Secreta das Plantas, de Peter Tompkins e Christopher Bird, Ed. Expressão e Cultura-Exped, Rio de Janeiro (0XX21) 532-5930

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O novo salto da consciência - Ricardo Kelmer


O novo salto quântico da consciência
Ricardo Kelmer

É provável que as plantas psicoativas possam ter contribuído
significativamente para o surgimento da autoconsciência.

A cada dia mais e mais pesquisadores ligados ao estudo da consciência,
antropologia, psicologia e botânica se debruçam sobre uma possibilidade no
mínimo intrigante e polêmica. É provável que as plantas psicoativas (que
induzem a mente a funcionar em estados especiais) possam ter contribuído
significativamente para o surgimento da autoconsciência, fator decisivo que
proporcionou aos nossos ancestrais, num determinado ponto da evolução, as
condições para sobreviver e gerar a incrível espécie a qual pertencemos: o
Homo sapiens.

Admitir tal hipótese é mexer num vespeiro. Muita gente se indagará: "Quer
dizer que nós humanos só existimos porque um bando de macacos comeram umas
plantinhas e ficaram doidões?" Imagino os mais religiosos: "Era só o que
faltava! Deixa só Deus escutar isso!" Pois infelizmente para muita gente, e
até para alguns deuses, essa hipótese vem sendo estudada com seriedade e
encontra ressonância positiva no meio científico.

Quem já passou por uma experiência com as tais "plantas sagradas", como a
Ayahuasca, o Peiote e a Jurema, sabe perfeitamente do imenso poder que elas
guardam. E sabe também que elas não se prestam a um consumo recreativo,
exatamente porque costumam tocar muito fundo em nosso interior, abalando
nossa compreensão da realidade e de nós mesmos e nos fazendo emergir da
experiência profundamente transformados. Xamãs e pajés do mundo inteiro as
utilizam há milhares de anos em contextos religiosos e terapêuticos.
Atualmente médicos e pesquisadores de vários países estão unindo medicina
acadêmica com antiquíssimas práticas xamânicas que envolvem o uso de plantas
psicoativas e, com essa curiosa união, vêm obtendo resultados animadores na
cura de muitas doenças como a dependência química.

Atualmente no Brasil proliferam-se seitas e dissidências de seitas que em
seus rituais utilizam chás à base dessas plantas, chamando a atenção de
estudiosos para o emergente fenômeno. Toma-se o chá para entrar num estado
de consciência não ordinário, onde é possível viver experiências sensoriais
e cognitivas as mais diversas. Há quem encontre pessoas vivas ou mortas,
santos, entidades animais ou espíritos de plantas. Há os que experimentam
capacidades psíquicas incomuns ou vivenciam uma intensa sensação de união
com a Natureza e tudo que existe. Há quem passe por profundas experiências
de auto-investigaçã o psicológica como também de autocura ou seja tocado por
revelações importantes que podem mudar toda uma vida. Pode não acontecer
nada mas também pode ser prazeroso ou doloroso. Pode ser infernal ou divino
mas será sempre construtivo. Depende de cada um e de seu momento. Os
religiosos radicais, sempre obcecados, diriam que é coisa do demônio. Alguns
psicólogos talvez usassem o termo "terapia de choque". Talvez nada mais seja
que um providencial reencontro consigo mesmo e com sua verdade mais íntima.

Por que a crescente procura atual pelas plantas de poder dos xamãs? Por qual
razão tantas pessoas ousam se submeter a uma experiência incerta, largando a
segurança de sua mente cotidiana e desafiando o desconhecido de si mesmo?
Minha impressão é que isso tudo talvez signifique, em última instância, uma
forma de religação à Natureza. Religação sim, porque, na verdade, nós também
fazemos parte da Natureza. O que houve é que, infelizmente, passamos a nos
ver separados dela e com isso nos distanciamos demais da sabedoria natural
do planeta e agora, perdidos num mundo cada vez mais caótico e insano,
buscamos com avidez crenças e experiências que nos reconectem ao sentido
maior da vida e às nossas verdades mais profundas. Entendo isso como um
anseio natural e legítimo de uma espécie adoecida: o anseio de cura,
liberdade, totalidade e harmonia com a Mãe Terra.

o que liberta também escraviza

Por minha própria experiência, sei que plantas psicoativas podem ser
bastante úteis porque nos fazem olhar para dentro, nos reconectam às leis
naturais e ao sagrado de nossas vidas, nos lembram de nosso potencial para a
autocura e ajudam a nos libertarmos de medos, culpas e bloqueios. Não há
como não se transformar após um profundo encontro consigo mesmo. É por isso
que quem passa por tais experiências xamânicas engrossa a legião dos que
entendem o mais importante: somente a profunda mudança interior de cada um é
que fará finalmente com que o mundo mude para melhor.

Este talvez seja o convite que as plantas sagradas fazem neste momento à
nossa espécie: quanto mais pessoas se religarem à sua verdade mais íntima,
mais próxima a humanidade estará de seu ponto de equilíbrio. Por outro lado,
sei também que a espécie humana está doente e que, na busca angustiada pela
cura, é capaz de exagerar no remédio. Por isso, nessa urgente busca por
valores espirituais, é preciso, acima de tudo, priorizar a liberdade e
atentar para o risco sempre presente de cairmos escravos exatamente daquilo
que um dia elegemos como libertador. As plantas sagradas não ficam de fora
desse perigo. Tenho amigos que fazem parte de seitas que utilizam tais
plantas e certamente discordarão. Respeito o que eles pensam e admiro sua
busca pessoal. Porém, como tudo o mais que existe, as plantas sagradas
também possuem dois lados. Se um lado liberta, o outro está lá prontinho
para escravizar caso você não se mantenha atento, equilibrado e sem apegos
excessivos.

Religiões, seitas e gurus funcionam muito bem para os que necessitam de
regras ou se sentem mais seguros pertencendo a um certo grupo. Eles estão em
seu caminho e isso deve ser respeitado. Mas há pessoas que conseguem beber
em todos os ensinamentos e usufruir do melhor que eles lhes oferecem sem ter
de se enquadrar em nenhum específico. É um caminho mais solitário, evidente,
e exige um contínuo "estar aberto" - mas que exatamente por isso recompensa
quem o trilha com a liberdade que nenhum outro caminho pode oferecer. As
regras da seita ou as palavras do guru podem até iluminar durante um tempo,
sim, mas até mesmo essa luz pode cegar para os horizontes seguintes da
jornada. O principal ensinamento das plantas de poder (assim como deveria
ser o de todo guru) é este: devemos abandonar todas as muletas e aprender a
caminhar por nós mesmos.

O atual processo coletivo de reconectar-se aos valores da Natureza através
das plantas psicoativas não significa uma espécie de retrocesso evolutivo e
que devemos voltar a saltar pelas árvores. Nada disso. Uma vez
ultrapassados, os marcos da evolução da consciência sempre nos impulsionam
para o novo, jamais para trás. Acontece que a verdadeira evolução avança em
forma de espiral e é por isso que quando o caminho parece retornar a um
determinado ponto, na verdade ele está sim passando novamente por lá - porém
num novo nível, mais acima, numa nova dimensão.

Talvez essas poderosas plantas, que acompanham nossa espécie desde seu
nascimento numa impressionante relação simbiótica, estejam agora nos
oferecendo a preciosa oportunidade de mais um salto quântico da consciência,
uma intensa transformação da mente e de sua interpretação da realidade -
como fizeram nossos peludos antepassados em algum ponto de sua jornada.
Agora, porém, diferente deles, possuímos razão e discernimento. Possuímos
milênios e milênios de experiência sedimentados no inconsciente comum da
espécie e temos nossos próprios erros para nos guiar.

Retornaremos à Mãe Terra e ao sagrado, sim, porque não há outro caminho se
quisermos de fato sobreviver como espécie. Mas o faremos num novo nível
porque agora estamos mais capacitados para enfrentar o grande mistério da
vida, esse mistério que nos maravilha e assombra cada vez que olhamos para o
sem-fim do mundo lá fora ou para o infinito interior de nós mesmos.

Ricardo Kelmer é escritor, letrista e roteirista e mora em São Paulo, Terra,
3a. pedra do Sol

Entrevista a la abuela Margarida


Entrevista a la abuela Margarita
Entrevista: JOSÉ MARÍA ALGUERSUARI LA VANGUARDIA,
el diario más vendido en Catalunya Control OJD
Copyright La Vanguardia Ediciones S.L.


"Cuando necesito algo, me lo pido a mí misma"


Se crió con su bisabuela, que era curandera y milagrera. Practica y conoce los círculos de danza del sol, de la tierra, de la luna, y la búsqueda de visión. Pertenece al consejo de ancianos indígenas y se dedica a sembrar salud y conocimiento a cambio de la alegría que le produce hacerlo, porque para sustentarse sigue cultivando la tierra. Cuando viaja en avión y las azafatas le dan un nuevo vaso de plástico, ella se aferra al primero: "No joven, que esto va a parar a la madre tierra".

Rezuma sabiduría y poder, es algo que se percibe con nitidez. Sus rituales, como gritarle a la tierra el nombre del recién nacido para que reconozca y proteja su fruto, son explosiones de energía que hace bien al que lo presencia; y cuando te mira a los ojos y te dice que somos sagrados, algo profundo se agita.

-Tengo 71 años. Nací en el campo, en el estado de Jalisco (México), y vivo en la montaña. Soy viuda, tengo dos hijas y dos nietos de mis hijas, pero tengo miles con los que he podido aprender el amor sin apego. Nuestro origen es la madre tierra y el padre sol. He venido a la Fira de la Terra para recordarles lo que hay dentro de cada uno

¿Dónde vamos tras esta vida?
-¡Huy hija mía, al disfrute! La muerte no existe. Las muerte simplemente es dejar el cuerpo físico, si quieres.
¿Cómo que si quieres...?
-Te lo puedes llevar. Mi bisabuela era chichimeca, me crié con ella hasta los 14 años, era una mujer prodigiosa, una curandera, mágica, milagrosa. Aprendí mucho de ella.

Ya se la ve a usted sabia, abuela.
-El poder del cosmos, de la tierra y del gran espíritu está ahí para todos, basta tomarlo. Los curanderos valoramos y queremos mucho los cuatro elementos (fuego, agua, aire y tierra), los llamamos abuelos. La cuestión es que estaba una vez en España cuidando de un fuego, y nos pusimos a charlar.
¿Con quién?
-Con el fuego. "Yo estoy en ti", me dijo. "Ya lo sé", respondí. "Cuando decidas morir retornarás al espíritu, ¿por qué no te llevas el cuerpo?", dijo.
¿Cómo lo hago?, pregunté. -Interesante conversación.
-"Todo tu cuerpo está lleno de fuego y también de espíritu -me dijo-, ocupamos el cien por cien dentro de ti. El aire son tus maneras de pensar y ascienden si eres ligero. De agua tenemos más del 80%, que son los sentimientos y se evaporan. Y tierra somos menos del 20%, ¿qué te cuesta cargar con eso?".

¿Y para qué quieres el cuerpo?
-Pues para disfrutar, porque mantienes los cinco sentidos y ya no sufres apegos. Ahora mismo están aquí con nosotras los espíritus de mi marido y de mi hija.
Hola.
-El muertito más reciente de mi familia es mi suegro, que se fue con más de 90 años. Tres meses antes de morir decidió el día. "Si se me olvida -nos dijo-, me lo recuerdan". Llegó el día y se lo recordamos. Se bañó, se puso ropa nueva y nos dijo: "Ahora me voy a descansar". Se tumbó en la cama y murió. Eso mismo le puedo contar de mi bisabuela, de mis padres, de mis tías...

Y usted, abuela, ¿cómo quiere morir?
-Como mi maestro Martínez Paredes, un maya poderoso. Se fue a la montaña: "Al anochecer vengan a por mi cuerpo". Se le oyó cantar todo el día y cuando fueron a buscarle la tierra estaba llena de pisaditas. Así quiero yo morirme, danzando y cantando. ¿Sabe lo que hizo mi papá?
¿Qué hizo?
-Una semana antes de morir se fue a recoger sus pasos. Recorrió los lugares que amaba y a la gente que amaba y se dio el lujo de despedirse. La muerte no es muerte, es el miedo que tenemos al cambio. Mi hija me está diciendo: "Habla de mí", así que le voy a hablar de ella.

Su hija, ¿también decidió morir?
-Sí. Hay mucha juventud que no puede realizarse, y nadie quiere vivir sin sentido.
¿Qué merece la pena?
-Cuando miras a los ojos y dejas entrar al otro en ti y tú entras en el otro y te haces uno. Esa relación de amor es para siempre, ahí no hay hastío. Debemos entender que somos seres sagrados, que la tierra es nuestra madre y el sol nuestro padre. Hasta hace bien poquito los huicholes no aceptaban escrituras de propiedad de la tierra. "¿Cómo voy a ser propietario de la madre tierra?", decían.
-Aquí la tierra se explota, no se venera.
-¡La felicidad es tan sencilla!, consiste en respetar lo que somos, y somos tierra, cosmos y gran espíritu. Y cuando hablamos de la madre tierra, también hablamos de la mujer que debe ocupar su lugar de educadora.

¿Cuál es la misión de la mujer?
-Enseñar al hombre a amar. Cuando aprendan, tendrán otra manera de comportarse con la mujer y con la madre tierra. Debemos ver nuestro cuerpo como sagrado y saber que el sexo es un acto sagrado, esa es la manera de que sea dulce y nos llene de sentido. La vida llega a través de ese acto de amor. Si banalizas eso, ¿qué te queda? Devolverle
el poder sagrado a la sexualidad cambia nuestra actitud ante la vida. Cuando la mente se une al corazón todo es posible. Yo quiero decirle algo a todo el mundo...
-...
-Que pueden usar el poder del gran espíritu en el momento que quieran. Cuando entiendes quién eres, tus pensamientos se hacen realidad. Yo, cuando necesito algo, me lo pido a mí misma. Y funciona.
-Hay muchos creyentes que ruegan a Dios, y Dios no les concede.
-Porque una cosa es ser limosnero y otra, ordenarte a ti mismo, saber qué es lo que necesitas. Muchos creyentes se han vuelto dependientes, y el espíritu es totalmente libre; eso hay que asumirlo. Nos han enseñado a adorar imágenes en lugar de adorarnos a nosotros mismos y entre nosotros.
-Mientras no te empaches de ti mismo.
-Debemos sutilizar nuestra sombra, ser más ligeros, afinar las capacidades, entender. Entonces es fácil curar, tener telepatía y comunicarse con los otros, las plantas, los animales. Si decides vivir todas tus capacidades para hacer el bien, la vida es deleite.

¿Desde cuándo lo sabe?
-Momentos antes de morir mi hija me dijo: "Mamá, carga tu sagrada pipa, tienes que compartir tu sabiduría y vas a viajar mucho. No temas, yo te acompañaré". Yo vi con mucho asombro como ella se incorporaba al cosmos. Experimenté que la muerte no existe. El horizonte se amplió y las percepciones perdieron los límites, por eso ahora puedo verla y escucharla,
¿lo cree posible?
-Sí.
-Mis antepasados nos dejaron a los abuelos la custodia del conocimiento: "Llegará el día en que se volverá a compartir en círculos abiertos". Creo que ese tiempo ha llegado.

Simbolismo dos animais de poder no Xamanismo


Simbolismo dos animais de poder dentro do Xamanismo
Animais de poder - Aliados Espirituais






Um dos aspectos mais fascinantes do xamanismo é a integração do praticante com a natureza e seus seres.

Todo ser vivente possui um espírito. No xamanismo não há limites para a integração com os seres da natureza. Os animais são grandes aliados naturais do Xamã. Assim como os espíritos humanos, os dos animais vivem e podem ser conectados para nos servir. E fazem isso em troca de nosso amor, atenção e da possibilidade de compartilhar a experiência humana.

Os animais de poder são manifestações dos poderes arquetípicos de energias. Cada animal tem uma essência espiritual e características específicas, de acordo com seu próprio modo de vida e as condições para sua sobrevivência. Sua sabedoria e propriedades específicas podem ser compartilhadas para auxiliar-nos em objetivos difíceis, no aumento da intuição, na proteção e na busca do auto-conhecimento.

O trabalho com os espíritos animais é uma das ferramentas mais poderosas para o crescimento pessoal do xamã.

. Para os mais experientes neste caminho, os animais podem aparecer freqüentemente, principalmente quando necessita do auxílio deles.

É muito importante dentro do xamanismo que você se deixe regularmente se transformar no seu animal. A alegria que lhe dará de existir na forma material fará com que ele se sinta satisfeito e assim permaneça ao seu lado. Trata-se de uma espécie de troca, pois tal como o ser humano deseja sentir a realidade incomum tornando-se um Xamã, também o animal de poder deseja sentir a nossa realidade através do corpo de um ser humano vivente.



Existem rituais xamânicos com uso de tambor e maracás que permitem aos praticantes conhecer e/ou se conectar com as energias arquetípicas dos animais. Nosso animal de poder pode se mostrar também em sonhos, visões, meditações ou com auxílio de um xamâ experiente.

Uma forma de se conectar os animais de poder é utilizar um objeto físico para representar o animal e facilitar sua mentalização. Pode ser uma imagem, quadro ou escultura.

Alguns exemplos de animais de poder:
"O que é o homem sem os animais? Se os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma lição em tudo. Tudo está ligado. (...) O homem não teceu a teia da vida: ele é simplesmente um de seus fios."

Chefe Seatle, 1854





Águia

Em um mito siberiano, o Criador envia a águia para levar socorro aos homens atormentados por maus espíritos, que lhes trazem doença e morte. Mas, como os humanos não compreendem a linguagem da mensageira, o Altíssimo diz a águia que dê aos homens o dom de xamanizar. Ela desce à terra e engravida uma mulher, que dá à luz o primeiro xamã.


A águia é considerada a "rainha dos pássaros", mensageira ou a substituta do fogo celeste e da mais alta divindade urânica. Considerada a substituta do Sol tanto na mitologia asiática e norte-asiática como nas mitologias ameríndias do Norte e do Sul, em particular, entre os índios das pradarias e entre os astecas. Também no Japão, o Kami, cujo mensageiro e montaria é uma águia denominada a águia do Sol. Entre os gregos, onde as águias, tendo partido da extremidade do mundo, pararam na vertical do omphalos (umbigo) de Delfos, o eixo do mundo.


Na cosmogonia ameríndia, a águia é representação material do Grande Pássaro Trovão, pássaro sobrenatural que se dissimula nas nuvens de tempestade. Assim, a águia evoca não só o trovão, mas também o raio, cuja semelhança vemos nas flechas.

A águia significa Iluminação, a visão interior invocada para poderes xamânicos, coragem e a elevação do espírito a grandes alturas.

A Águia chega a viver até 70 anos. Mas, para chegar a essa idade, ela tem de tomar uma séria e difícil decisão por volta dos 40 anos. Nessa idade, suas unhas são compridas e flexíveis, o que torna difícil caçar suas presas para se alimentar; seu bico alongado e pontiagudo já está curvo; suas asas estão apontando contra o peito envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas; mesmo voar já é uma tarefa difícil.

Só há duas alternativas para a águia:morrer ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e recolher-se em um ninho próximo a um paredão, onde ela não necessite voar. Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico contra a rocha até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas.

Somente após esses meses de recolhimento, ela sai para seu famoso vôo de renovação. E poderá viver, então, por mais 30 anos.




Lobo

Durante séculos, homens e lobos coexistiram, vendo-se uns aos outros
mais com respeito de que com medo. Cada um respeitava a organização
social e a habilidade de caça do outro. Foram parceiros na manutenção do intrincado equilíbrio da Terra. Entenderam que faziam parte da natureza
mais do que a natureza fazia parte deles.


O lobo é um animal com inteligência social e sentidos extremamente apurados. Sua habilidade de sobrevivência depende totalmente da cooperação de sua matilha. Seu comportamento segue uma hierarquia que segue uma ordem de comando. Cada lobo sabe o seu lugar e suas responsabilidades. Eles possuem um método complexo de comunicação que envolve linguagem corporal e habilidades vocais. Se você possui alguma dificuldade em se expressar, tome algum tempo estudando os lobos. Eles lhe ensinarão a melhorar suas habilidades de comunicação verbal com uma linguagem corporal apropriada. Eles lhe ajudarão a alcançar seus objetivos por meio de campanhas cooperativas. Sua mensagem é o poder para ensinar e compartilhar informações.

Cada lobo tem sua própria voz e cada um respeita a voz de seu companheiro. Quando os lobos uivam juntos, todas as barreiras de sua individualidade são rompidas, como se dissessem: "Somos únicos, mas somos um todo; então não se meta conosco".


A paciência e a esperteza do lobo vai muito além de Identificar presas fáceis. Eles observam e gravam vários traços e hábitos minúsculos da personalidade de sua presa. Não importa o tamanho do inimigo. O lobo morde e se afasta! Repete e repete....Ele procura uma vitória a longo prazo, e não um sucesso imediato. É a observação, a simplicidade de propósito, o trabalho em equipe, a curiosidade, a atenção nos detalhes e a inabalável paciência que fazem o sucesso do lobo.

Uma caçada mal sucedida somente aperfeiçoa as habilidades e reaviva o desejo. Os erros cometidos não são vistos como falhas, e tornam-se parte da base de conhecimento coletivo dos lobos. Aquilo que para os homens é fracasso, os lobos convertem em sabedoria.

Lobos tem uma técnica aprimorada de focalizar suas energias em direção às atividades que os conduzirão à consecução de seus objetivos. Eles deixam parecer serem seres letárgicos, mas ao entrar em ação, o fazem de forma pungente, objetiva e estratégica, cientes do dever à cumprir.

É a observação, a simplicidade de propósito, o trabalho em equipe, a curiosidade, a atenção nos detalhes e a inabalável paciência que fazem o sucesso do lobo. Uma das estratégias do lobo é tentar entender que posição você ocupa no mundo. Não onde gostaria de estar ou esperava estar, mas onde está. O lobo como animal de poder significa amor, relacionamentos saudáveis, fidelidade, generosidade, ensinamento, compartilhamento e habilidades sociais.

Para os lobos, a diversão não é somente um subproduto da vida, e sim uma razão para viver. A paixão do lobo pela brincadeira jamais acaba, não importa qual seja sua idade. Embora tenham amadurecido, a diversão continua tão importante em suas vidas como sempre foi.

Se um lobo entrou em sua vida, então é hora para compartilhar seus conhecimentos ensinando, escrevendo e dando palestras. O lobo sempre encontra uma maneira para aprender de algo corriqueiro e assim, nós podemos também descobrir novas verdades e compartilhá-las, ao explorarmos os caminhos escondidos de nossa consciência. Pode também estar sendo cobrado que você reexamine sua relação de dependência e independência. Por ter uma organização social muita desenvolvida, ele lhe ensina a equilibrar as necessidades de sua família e as suas próprias. Eles são muito leais e jamais abandonarão o grupo.




Os mandamentos do Lobo

Respeite os mais velhos
Ensine os jovens
Coopere com o grupo

Divirta-se quando puder
Cace quando precisar
Descanse nos intervalos

Reparta suas afeições
Manifeste seu sentimentos
Deixe sua marca

"A sabedoria dos lobos"
de Twyman L. Towery


Outros animais de poder (igualmente importantes!)

Cada um com suas habilidades que permitiram garantir sua subsistência e uma vida integrada e harmônica com a natureza, conduzindo à evolução de sua espécie ao longo de milênios. Os animais têm muito a nos ensinar. Ao se aliar a um animal, descubra quais são suas caraterísticas e faça bom uso de essa aliança. Trate-o bem, faça ele sentir a vibração de seu amor e ele nunca te abandonará te auxiliando nos momentos em que precisar dele.

Resumidamente, veja as características de alguns animais de poder.

Águia - vide acima.

Baleia - Registros da Mãe Terra, sons que equilibram o corpo emocional, origens. Através do rítmo e padrões sonoros a baleia nos ensina e escutar a nossa voz interior, a entrarmos em contato com as nossas verdades pessoais e a termos sabedoria para sentir o pulsar do universo.

Beija-flor - Mensageiro da cura, amor romântico, claridade, graça, sorte, suavidade. O beija-flor se lança no mundo espalhando graça e beleza nos ensinando a apreciar as maravilhas e magias de nossa existência diária. Um dos maiores presentes que podemos obter seguindo seus ensinamentos, é o de entender os enigmas e os mistérios que envolvem as dualidades e contradições. É só observar o comportamento desse Animal em relação as plantas e flores para percebemos como a sua presença está relacionada a reprodução.

O Beija-flor pode voar em qualquer direção: para cima, para baixo, para esquerda, para a direita e também paralisar no ar, como se estivesse observando e preparando seu próximo passo. Sua presença é pura alegria e sempre provoca reações de admiração. As pessoas que tem o Beija-flor como Animal de Poder, geralmente são pessoas agradáveis, alegres e que vivem rodeadas de amigos. Elas conseguem contagiar o ambiente com sua alegria e encontram sempre uma forma, uma maneira de fazer quem estiver ao seu redor se sentir renovado e feliz , pelo simples fato de estar vivo. Usando a astúcia, a inteligência, a graça e não só a força física, estão sempre procurando uma maneira para embarcar numa nova aventura e jornada.

Búfalo - Sabedoria ancestral, esperança, espiritualidade, preces, paz, tolerância, força proteção, abundância e unidade. Quando ele surge, é hora de agradecer. Dê algo de volta para sua comunidade. Envolva-se com sua vida. Reconheça o Grande Espírito em todas as coisas. Confie e tenha fé. Plante uma árvore, adote um animal. Liberte-se de coisas que não lhe servem mais. Desista de atitudes que não lhe servem mais ao seu novo eu.

O Búfalo nos ensina que a verdadeira prosperidade vem quando nos sentimos agradecidos pelo que possuimos e quando vivemos em harmonia e amor com todos os outros seres.

Cachorro - Lealdade, habilidade para amar incondicionalmente, estar a serviço.

Cágado - estabilidade, organização, longevidade, honra, paciência, sabedoria. Criaturas exclusivamente terrestres, representam determinação e longevidade. Aqueles que o possuem como animal de poder levam as cargas dos outros além dos próprios pesos de suas suas experiências. São ótimos terapeutas mas devem ter cuidado para não assumir o peso dos outros. Ele ainda leva a energia da paciência e perseverança. São muito sensíveis ao ambiente e possuem uma ligação psíquica forte com a mãe terra. Eles sentem as vibrações da terra e reagem fortemente à elas. Mudanças bruscas no clima podem afetar sua disposição. As pessoas deste aanimal precisam de um ambiente estável para sesentirem bem; sem esta estabilidade elas estão sujeitas a mudanças no humor.

Sua habilidade de sobrevivência é devido à sua capacidade de estar centrado. São vegetarianos e dão muita importância à um lar estável. O fato de carregarem sua casa nas costas nos lembra que a verdadeira estabilidade está dentro de nós.

Seu movimento vagaroso nos ensina a observar e processar tudo eficientemente. Isto completa sua sabedoria. Lembre-se de se mover devagar em direção aos objetivos, se ele é seu animal. Confie em sua intuição.


Castor - Construtor. O castor trabalhar em cooperação para construir a sua casa e isto nos ensina que podemos criar e satisfazer com muito mais poder quando todos envolvidos em questão podem apreciar os talentos de cada um e trabalhar junto em harmonia.

Cavalo - Poder interior, liberdade de espírito, viagem xamânica, força ,clarividência. Mas esta força não podemos fazer mal uso dela, nem desperdiça-la e nem mantê-la para nós mesmos. Quando compartilhamos o nosso poder com os outros e os ensinamos como eles devem cuidar de seus próprios poderes, a nossa jornada se torna mais rápida e mais agradável.

Chimpanzé - Viver em harmonia. Os chimpanzes estão muito próximos do homem na escala da evolução e eles podem nos ajudar a restaurar um modo simples de vida que nos dá alegria de viver. Eles podem nos dar alegria, curiosidade e soltura, como também a nossa habilidade para nos tornarmos membros mais completos na comunidade humana e natural.

Cisne - Graça. Os cisnes nos ensinam a confiar na graça de nosso ser à medida em que ela opera nos planos físicos e espiritual e nos coloca para nos deliciarmos com os dons de nossos corpos físicos e nossas mentes intuitivas.

Cobra - Transmutação, cura, regeneração, sabedoria, psiquismo, sensualidade. Como as cobras deixam para trás a sua pele, nós podemos deixar para trás as nossas ilusões e limitações para usarmos plenamente a nossa vitalidade e desejos para alcaçar a totalidade.

Coelho - Medo Quanto mais focamos em nossos medos, mais os atraimos. O coelho nos ensina a atrair abundância, amor, saúde, e uma toca aonchegante, seca e segura.

Coiote - Malícia, artifício, criança interior, adaptabilidade, confiança, humor. O coiote é o trapaceiro. Quando estamos levando a nossa vida muito seriamente, o coiote nos ensina a rir de nós mesmos. Ele é também o reforçador karmico, nos lembrando que o que fizermos aos outros, será feito à nós.

Coruja: Habilidades ocultas, ver na escuridão, a vigília, a sombra, sabedoria antiga, clarividência. A coruja possui a habilidade de ver coisas que as vezes nos escapam. O dom deste remédio é não nos enganarmos com as aparências externas e descobrir a verdade por trás delas. Alguns nativos americanos se referem à coruja como a águia da noite.

Se você tem a coruja como o animal de poder, sua menssagem é prestar atençao em seus sonhos e sentimentos. Questionar os seus medos e agir com intuição. Focalize em suas intenções e mova-se em direção as seus objetivos.Evoque a coruja para ajudá-lo com o discernimento e conhecimento. Não tenha medo do escuro e do desconhecido. Explore seu mundo interior com confiança. Trabalhe para desenvolver clarividência. Faça uso de rituais e de influências da Lua para gerar poder e promover mudanças positivas.

Corvo - Curiosidade, inteligência, observação, visão e comunicação. O corvo é um mestre em mudanças e movimento. Ele é destemido e o guardião de coisas ocultas e sagradas. Ele é o interprete do desconhecido. Quando ele entra em sua vida, é hora de prestar atenção nos sinais, símbolos, profecias e sonhos. Faça as pazes com sua sombra.

Elefante: Longevidade, inteligência, memória ancestral, proteção, auto-suficiencia e comprometimento. O elefante nos ensina a força da gentileza, do comprometimento e da comunicação nos relacionamentos.. Eles são completamente envolvidos com todos com quem ele possuem qualquer tipo de relacionamento. Eles são poderosos ao proteger e gentís ao cuidar.

Esquilo - Preparação, planejamento, adaptabilidade Squirrel's Messagee conservação. O esquilo nos ensina a planejar e nos prepararmos para o futuro. Não use todas as suas reservas. Devemos sempre guardar alguma coisa para nos servir em tempos ruins. Prepare-se também para as mudanças periódicas. Entretanto, se você estiver acumulando coisas, livre-se delas. Faça um inventário. Procure saber onde você está gastando. Pode ser uma boa hora para se afastar um pouco de todos.

O esquilo não só nos ajuda a nos livrarmos de objetos físicos desnecessários como também de crenças negativas que minam nossa confiança no amor e abundância.

Falcão - Precisão, memória remota, coragem sabedoria, iluminação, preces ao Universo, mensageiro, olhar em volta, observar a distância e atenção ao detalhe. O falcão nos ensina a sermos observadores e a prestarmos atenção em coisas que estão passando desapercebidas. Os falcões podem avistar uma presa do tamanho de um coelho à 3 kms de distância. Este pode ser um talento que não usamos, uma benção pela qual não expressamos gratidão, ou uma mensagem dos espíritos.babseal.

Foca - A voz interior, e ainda, sonhos lúcidos, mover-se através das emoções, criatividade. A foca nos lembra de nossa conexão com os nossos rítmos, sentimentos e conhecimentos mais profundos representados pelo mar. Quando sentimos medo de nos afundarmos nestas profundezas, a foca nos lembrar com nadar. Elas tendem a ser desajeitadas quando não estão em seu habitat natural.

Gambá - Auto-respeito. Quando nós nos aceitamos completamente e aprendemos a expressar a nossa essência, sem ego, nós atrimos aqueles que compartilham nosso caminho e repelimos aqueles que não.

Ganso - Círculo Sagrado, vigilância e proteção. A migração do Ganso Canadense marca a passagem do Grande Círculo do Ano e nos lembra da sacralidade dos ciclos da vida. Também podemos aprender muito do comportamento cooperativo e comunitário desses pássaros que nunca abandonam um membro do grupo doente ou ferido e que sabem quando liderar e quando procurar alguem para tal.São conhecidos por seu destemor para defender a sua casa.

Gato - Entendimento sobre mistérios, sensualidade, limpeza, visões místicas, independência, completude. O gato é um animal que combina um alto grau de sensualidade com uma natureza profundamente psíquica e espiritual. Ele nos lembra que os mundos espirituais e físicos não são separados, mas um só. Observe quando o seu gato não chega perto de alguém. Talves é para você também não querer esta pessoa por perto.

Girafa - Visão focada. O mais alto dos animais com seu peso bem distribuido e somente fica vulnerável quando curva o seu pescoço para beber água. Ela nos ensina a ver a vida de forma focada e ao mesmo tempo expansiva e que em nosso desejo de expandir a nossa espiritualidade devemos sempre nos lembrar que nós somos criaturas físicas.

Golfinho - Pureza, iluminação do ser, sabedoria, paz, amor, harmonia, comunicação, sopro da vida, além da habilidade de se movimentar com desenvoltura por ambientes pouco amigáveis. Eles nos ensinam que ao sintonizarmos com os rítmos e padrões da natureza podemos aprender a verdadeira comunicação com o Todo Poderoso e a compartilhar esta sabedoria com os outros.

Gorila - enorme forca, coragem. Impoe respeito, seu grito é como um rugido de um tigre, pode ser ouvido à grande distância. Apesar de herbívoro, nao se pode olhar um gorila diretamente nos olhos, pois isso significa um desafio ao seu domínio. Quem o vê sente um misto de medo e respeito. No entanto, o gorila é um animal pacífico que nao é capaz de agredir a nao ser que seja para se defender. Esse gigante das florestas, se irritado, pode facilmente dobrar uma barra de ferro. Dedicados pais, sao animais ideais para aqueles que zelam por seus filhos e lar. Também sao hábeis na comunicacao. Calmo e amável, gorila é o animal para ajudar na protecao e uniao familiar. Sua enorme forca física e coragem pode ser mobilizada para enfrentar desafios difíceis.

Hipopótamo - Profundezas Emocionais. É um animal sagrado para a tradição egípcia e Africana e é o segundo mamífero em tamanho. Ele nos guia a nos firmarmos na realidade para podermos encarar e dissolver questões emocionais ( o poder da água).

Lagarto - Devaneio. Em nossos sonhos imaginamos futuros diferentes e escolhemos qual iremos materializar. O lagarto nos ensina a importância de respeitar e a lembrar de nossos sonhos.

Leão: Poder, força, majestade, prosperidade, nobreza, liderança, coragem, segurança e o princípio masculino. Como símbolo astrológico ele reina o coração. A coragem vem do coração e de um sentido profundo de autoridade pessoal que cria o poder para agirmos de acordo com o nosso espírito. Aquele que age verdadeiramente de acordo com seu coração é capaz de liderança, conquistas e o tipo de sucesso que encoraja as conquistas do outros. Ele é considerado o rei dos animais por não ter um predador natural e vive no topo da cadeia alimentar.

Leão da Montanha - Liderança. Ser verdadeiro consigo mesmo não permitindo nem o medo da responsabilidade e o ciumes e inseguranças de outros interfira em seu caminho. Esta é a marca de um verdadeiro lider.

Lince: Segredos, conhecimento oculto, tradição, ouvir para o crescimento. Poder, rapidez, equilíbrio, planejamento, paciência e astúcia. Respeite as frontreiras dos outros. Não desperdice energia. Pense antes de agir. Fique ligado(a). Focalize nos objetivos. Atreva-se a ser diferente. Compartilhe com os outros mas não permita que eles sejam muito dependentes de você. Pratique o andar do lince. Aprenda a se relaxar completamente e espreguiçar sempre que possível. Estude sempre o seu ambiente, use todos os seus sentidos. e confie neles. Seja firme mas flexível.

Leopardo (Chita) Velocidade e foco. Diferente dos outros felinos que espreitam a caça e depois pulam sobre suas presas para matar, o leopardo, a msis rápido animal de quatro patas, corre para pegar a sua presa. Esta é uma lição para conseguirmos o nosso objetivo com grande velocidade, sem perdermos o foco. Quando nos sentimos paralizados, o leopardo pode nos dar o impulso para começarmos a nos movimentar. Se estamos já correndo numa grande velocidade mas sem direção, a energia do leopardo nos ajuda a mantermos os nossos olhos em nossos objetivos e a encontrarmos qual a melhor direção para conseguí-los.Snowleopard - Message

Leopardo da Neve - Graça, foco, silêncio, força, poder, agilidade e independência. Sua mensagem é a força do silêncio compenetrado. Ele nos ensina a sermos silenciosos, alerta e prontos para quando uma oportunidade se apresentar. Se você o tem como animal de poder, use da força do silêncio em sua vantagem. Não fale muito sobre seus objetivos futuros até que os tenha conquistado. Eles sabem como usar cada quantum de energia de sua corpo. Você possui energia mais do que suficiente para realizar efetivamente seus objetivos e normalmente responde bem em situações de pressão. Entretanto, tente não sobrecarregar-se em compromissos. Busque seus objetivos com todas as suas forças mas também tenha tempo para descansar e se divertir.

Libélula - Ilusão. Quando nos enganamos, acreditando que limitações físicas nos impedem de mudar e crescer, a Libélula nos ensina a atravessarmos estas ilusões.

Lobo - vide acima.

Lontra - A Curandeira. A lontra é receptiva, alegre e livre de ciúmes. Ela nos ensina a habilidade de nos sentirmos em casa em ambos os mundos. Na mitologia, a lontra era reverenciada por sua habilidade de se mover sem esforço dentro e fora d'água. Assim que homens e mulheres começam a expressar suas qualidades mais nobres que vem da lontra, o mundo pode se tornar um lugar agradável e alegre onde todos se divertirão sem medo de perdas ou danos. Ela também adora a vida e tudo que faz é aproveitar, brincando, flutuando sobre suas costas, comendo caranguejos enquanto equilibra uma pedra em sua barriga e fazendo bebezinhos.

Morcego - renascimento, iniciação, reencarnação, habilidades mágicas, transformação e renovação. Os morcegos possuem uma história longa associada à morte e renascimento por sua natureza noturna e sua habilidade de ver no escuro O iniciados do Xamã passam por um ritual de morte onde eles encaram seus medos e renscem sem suas velhas identidades. O remédio do morcego nos ensina a liber os nossos medos e qualquer outro padrão que não se encaixa mais em nosso crescimento.

Onça - Espreita, proteção do espaço, silêncio, observação, precisão.

Pavão - Este pássaro é honrado em todo o mundo por sua beleza. Também está assiciado com ressurreição. Para nós, ele pode nos ajudar a nos livrarmos das penas velhas do passado e e exigir a nossa verdadeira beleza de nossa naturezas individuais. Isto reforça a nossa confiança e auto-estima.

Pombo - Paz. A paz simbolizada pela pomba é da mais profunda. Ela acalma as nossas preocupações e pensamentos inquietantes e nos permite encontrar renovação no silêncio da mente.

Puma: Ao observar os movimentos graciosos do Puma, você aprenderá a equilibrar suas metas, seus poderes, sua força e sua elegância. Isto corresponde na dimensão humana o perfeito equilíbrio entre o corpo, a mente e o espírito.

Rato - Capacidade de explorar detalhadamente. O rato nos faz prestar atenção a cada detalhe que poderiamos estar perdendo em nossa louca mania de querer ver amplamente, e também nos lembra para não desconsiderar o óbvio.

Salamandra - Transformação. Este animal nos ajudar a conectar com os mistérios da terra e nos sentirmos firmes no momento presente. Algumas salamandras são terrestres e outras aquáticas. Também estão ligadas ao elemento fogo.

Sapo - Evolução, limpeza, transformação, cura, mistério, humor, emoções. A água limpa a terra árida e devolve a vida; como o sapo limpar as nossas energias física e mental que nos privam de harmonia e paz, e ajuda a reabastecer nossa própria habilidade de nos curarmos em todos os níveis.

Tartaruga - ver cágado

Texugo - Agressivo, corajoso, pé no chão, perseverante confiável. Apesar de ser um animal noturno, ele é ativo dia e noite. Vive em tocas e por isso possui um excelente conhecimento das raízes sendo considerado o Guardião das Raízes. le éu um excelente antídoto para a passividade e a vitimização.

Tigre - O tigre é um caçador solitário e silencioso e simboliza a remoção de todas as distrações da mente e o foco no momento presente. Assim o tigre é capaz de reunir todas as suas habilidades para obter sucesso. São independentes e confiantes. Com grande força muscular, eles são capazes de correr grandes distâncias em persseguição de uma presa. Ele nos ensina foco, paciência e surpresa.

O tigre possue excelentes qualidades curativas e pode ver seis vezes mais do que os humanos no escuro. Quando o tigre aparece, prepare-se para desafios, aventuras e mudanças. O poder, a paixão e vitalidade do tigre ativarão os mesmos componentes em você.

Urso - introspecção, intuição, cura, consciência, ensinamentos, curiosidade, estamina, renovação. O urso representa o lado Oeste da Roda Medicinal que é o lugar da intuição, transformação, introspecção, jornada xamânica, sonhos e visões. Ele nos ensina a ir para dentro para solucionar questões e promover curas. Vá sempre à sua Caverna de Inverno (mente subconsciente) para renovação e recursos necessários para sua sobrevivência e cura.

O urso nos ensina também a digerir nossas experiências internas e a descobrir que lá se encontra as respostas para nossas perguntas.

Veado - Gentileza, comuflagem, graça e atenção. Sua mensagem é o amor incondicional. Este animal lhe diz para usar menos força e não confrontar seu inimigo agora. É hora para compaixão e perdão. Aprenda a confiar. Tente algo novo, Não tenha vergonha de chorar. Passe mais tempo ao ar livre. Somente o amor pode dissolver as barreiras que nos previnem de nossa total realização.

Zebra - Individualidade. As listas da zebra servem como camuflagem contra predadores que são incapazes de pegar um indivíduo de uma manada. Ela nos ensina a mantermos nossa individualidade dentro de um grupo.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Despertar a Dimensão Xamânica - Boff

Despertar a dimensão xamânica Leonardo Boff
27/11/2011
.A categoria sustentabilidade, tomada em seu sentido amplo e não apenas reduzida ao desenvolvimento, significa toda a ação que visa a manter os seres na existência porque tem direito de coexistir conosco e só a partir desta convivência utilizamos com sobriedade e respeito uma porção deles para atender nossas necessidades e preservando-os também para as futuras gerações. Dentro deste conceito cabe também o universo. Sabemos hoje pela nova cosmologia que somos feitos de pó das estrelas e somos sustentados e atravessados pela inominável Energia de Fundo que tudo alimenta e que se desdobra nas quatro forças – a gravitacional, a eletromagnética, a nuclear fraca e forte – que, agindo sempre juntas, nos mantém assim como somos.

Como seres conscientes e inteligentes temos o nosso lugar e nossa função dentro do processo cosmogênico. Se não somos o centro de tudo, seguramente, somos uma daquelas pontas avançadas pelas quais o universo se volta sobre si mesmo, vale dizer, se torna consciente. O princípio andrópico fraco nos concede dizer que para sermos o que somos, todos as energias e processos da evolução se organizaram de forma tão articulada e sutil que permitiram o nosso surgimento, caso contrário não estaria aqui escrevendo agora.

Através de nós, o universo e a Terra se veem e se contemplam a si mesmos. A vista surgiu há 600 milhões de anos. Até lá a Terra era cega. O céu profundo e estrelado, as cataratas do Iguaçu, onde escrevo agora, o verdor das florestas, aqui ao lado, não podiam ser vistos. Pela nossa vista a Terra e o universo podem ver toda essa indescritível beleza.

Os povos originários, dos andinos aos samis do Ártico, se sentiam unidos ao universo, como irmãos e irmãs das estrelas, formando uma grande família cósmica. Nós perdemos esse sentimento de mútua pertença. Sentiam que forças cósmicas equilibravam o curso de todos os seres e atuavam em sua interioridade. Viver consoante estas energias universais era levar uma vida sustentável, serena e cheia de sentido.

Sabemos pela física quântica que a consciência e o mundo material estão conectados e a maneira que um cientista escolhe para fazer a sua observação, afeta o objeto observado. Observador e objeto observado se encontram indissoluvelmente ligados. Dai que a inclusão da consciência, nas teorias científicas e na própria realidade do cosmos, é um dado já assimilado por grande parte da comunidade científica. Formamos, efetivamente, um todo complexo e diversificado.

São conhecidas as figuras dos xamãs, tão presentes no mundo antigo e que hoje estão voltando com renovado vigor como o tem mostrado o físico quântico J. Drouot em se livro O Xamã, o Físico e o Místico (Record 2002) que tive a honra de prefaciar. O xamã vive um estado de consciência singular que o faz entrar em contato íntimo com as energias cósmicas. Ele entende o chamados das montanhas, dos lagos, das florestas, dos animais e, das estrelas e dos outros. Sabe conduzir tais energias para curar e harmonizar o ser humano com o todo.

Em cada um de nós existe a dimensão xamânica, escondida dentro de nossa interioridade Essa energia xamânica nos faz silenciar diante da grandeza do mar, vibrar diante do olhar da pessoa amada e estremecer face a um recém nascido. Precisamos liberar esta dimensão em nós para entrarmos em sintonia com tudo o que nos cerca e sentirmo-nos em paz.

Talvez nossa vontade de viajar com as naves espaciais na direção do espaço cósmico, não seja o desejo arquetípico de buscar nossas origens estelares e o ímpeto de regressar ao lugar de nosso nascimento? Vários astronautas expressaram semelhantes idéias.

Pertence à noção compreensiva de sustentabilidade, esta nossa busca incontida de equilíbrio com o todo e de sentirmo-nos parte do universo. A sustentabilidade comporta valorizar este capital humano e espiritual cujo efeito é produzir em nós respeito, sentido de sacralidade diante de todas as realidades, valores que alimentam a ecologia profunda e que nos ajudam a respeitar e a viver em sintonia com a Mãe Terra. Hoje faz-se urgente essa atitude, para moderar a força destrutiva que nas últimas décadas tomou conta da humanidade.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Medicina da alma

A verdadeira saúde é se harmonizar com um novo tempo !




Sua doença é o seu aliado, não seu inimigo


:: Silvana Partucci ::

Este é um artigo publicado no "La Vanguardia em 27/11/2002", é uma entrevista antiga, mas de grande interesse. A Entrevistada por Victor-M.Amela é Ghislaine Lanctot (que aparece na foto ao lado), uma ex-médica e autora de "A Máfia Médica", que desafia o atual sistema de saúde.

Tenho 61 anos e nasci em Montreal (Canadá). Fui médica e hoje sou Ghislaine Lactot, médica da alma.

Divorciei-me duas vezes, tenho quatro filhos (de 37e 28 anos) e quatro netos.

Política? Soberania individual! Acredite em si mesmo: você é divino e se esqueceu.

A medicina moderna promove a doença, não a saúde: a denúncia sobre isso está em meu livro "A Máfia Médica".

Estou gripado, o que você me receita?

- Nada.

Nem um pouco de Frenadol?

- Por quê? Para encobrir os sintomas? Não. Cuide de seus sintomas, ouça-se! E sua alma vai lhe dar a receita.

Mas eu fico na cama ou não?

- Pergunte a si mesmo, e faça o que você sente que lhe convém mais. Acredite em si mesmo!

Mas os vírus não se importam com o que eu acredito!

Oh, agora vejo: você escolhe o papel de vítima. Sua atitude é: "Eu peguei a gripe. Eu sou uma vítima de um vírus. Preciso de remédio"!

- Claro que sim, como todos...

Bem, aí está... Minha atitude seria: "Eu me dei uma gripe de presente. Eu sou o responsável! Devo me cuidar um pouco". E eu gostaria de ir para a cama, repousaria, relaxaria, meditaria um pouco sobre como eu tenho me maltratado ultimamente. ..

- V. se deu uma gripe de presente, você diz?

Sim! Sua doença vem de você, e não de fora. A doença é um presente que você faz para se encontrar consigo mesmo.

- Mas ninguém quer uma doença...

A doença reflete uma desarmonia interna em sua alma. Sua doença é o seu aliado, sinaliza que olhe para sua alma e veja o que acontece com você. Agradeça, pois lhe dá a oportunidade de fazer as pazes com você mesmo!

- Talvez o mais prático fosse um comprimido.. .

Fazer a guerra contra a doença? Isso é o que sugere a medicina de hoje, e as guerras matam, sempre trazem a morte.

- Não me diga agora que a medicina mata...

Um terço das pessoas hospitalizadas o são pelo efeito dos medicamentos! Nos Estados Unidos, 700.000 pessoas morrem anualmente por causa dos efeitos colaterais dos medicamentos e dos tratamentos hospitalares.

- Morreriam do mesmo jeito sem medicação, ora.

Não. Não se mudarmos o foco: a medicina moderna se esqueceu da saúde, é uma medicina da doença e da morte! Não é uma medicina da saúde e da vida.
Medicina da doença? Esclareça!...

Na China antiga, um acupunturista era demitido se o seu paciente ficasse doente. Ou seja, o médico cuidava de sua saúde! Entende? Toda nossa medicina é, portanto, um fracasso total.

- Prefere remédios alternativos, por quê?

Eles respeitam mais o corpo que a medicina industrial, é claro: a homeopatia (será a medicina do século XXI!) Acupuntura, fitoterapia, reflexoterapia, massoterapia. .. a prática da yoga... a meditação... são mais baratos... e bem menos perigosos.
- Mas eles não salvam ninguém do câncer.

Diga isso à medicina convencional! Ela o salvaria de um câncer?
- Pode fazer isso, sim.

O que fará com certeza é lhe envenenar com coquetéis químicos, lhe queimar com radiação, lhe mutilar com extirpações...

E, ainda por cima, a cada dia há mais câncer! Por quê? Porque as pessoas vivem esquecendo sua alma (que é divina): a paz de sua alma será a sua saúde, porque seu corpo é o reflexo material da sua alma. Se você se reencontrar com sua alma, se estiver em paz com ela... não haverá câncer!

- Belas palavras, mas se seu filho tivesse câncer, o que você faria?

Alimentaria sua fé em si mesmo: isso fortalece o sistema imunológico, o que afasta o câncer. O medo é o pior inimigo! O medo compromete a sua autodefesa. Nada de medo, nada de se render ao câncer! Tranqüilidade, convicção, delicadeza, terapias suaves...

- Desculpe-me, mas faz mais sentido ir a um oncologista, um médico especialista.

A medicina convencional só deve ser o último recurso, o extremo mesmo... E se sua alma estiver em paz, você nunca irá precisar dela.

- Bem, tenhamos então a alma em paz... mas, se por acaso encontrarem a vacina.

Não! Elas são produzidas com células de ovário de hamster cancerizadas para multiplicá-las e cultivá-las em um soro de bezerro estabilizado com alumínio (Este da hepatite B, com seu vírus): Você injetaria seus filhos com isso?

- Já tenho feito isso várias vezes...

E eu com os meus: Eu era médica, mas ainda não sabia o que sei agora ... No entanto, hoje meus filhos já não vacinam a seus filhos!

- Acho que vou continuar com as vacinas...

Por quê? A medicina atual mata moscas com um martelo: nem sempre morre a mosca, mas sempre se quebra a mesa de cristal. Há tantos efeitos colaterais.. .

- Por que abominou a medicina?

Tornei-me uma médica para ajudar. Eu me concentrei em Flebologia, as veias varicosas. Cheguei a ter várias clínicas. Mas fui percebendo o poder mafioso na indústria médica, que prejudica nossa saúde, que vive à custa de que estejamos doentes! Denunciei isso... e fui expulsa da faculdade de Medicina.

- Ou seja, você já não pode prescrever remédios...

Melhor! Os medicamentos são fabricados pensando na lógica industrial do máximo benefício econômico, e não pensando em nossa saúde. Pelo contrário: se estamos doentes, a máfia médica continua fazendo dinheiro!

- E a quem interessa a "máfia médica"?

À Organização Mundial de Saúde (OMS), às multinacionais farmacêuticas que a financiam, aos governos obedientes, aos hospitais e médicos (muitos por ignorância).. . O que está por trás disso? O dinheiro!

- Você não escolhe nenhum inimigo pequeno...

Eu sei, porém, se eu tivesse me calado, teria ficado doente e hoje estaria morta.

- Qual foi sua última doença?

Dois dias atrás, heheee... uma diarréia!
- E para refletir o que em sua alma?

Oh, eu não sei, eu não analisei... simplesmente limitei-me a não comer... E já me sinto bem!

- Mas, e se ficar muito mal, hein?

Sei, sei... Se a doença for visitá-lo, acolha-a, abrace-a! Faça as pazes com ela! Não saia correndo como louco para encontrar um médico, um salvador... Seu salvador vive dentro de você. Seu salvador é você. Você é Deus!

*****

"Os homens sempre esquecem que a felicidade humana é uma disposição da mente e não uma condição circunstancial. "
John Lodke



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Convivencialidade, Auto-poiesis e Aprenidzagem Organizacional - Rubem Bauer

Convivencialidade, Autopoiesis e Aprendizagem Organizacional

Ruben Bauer

1. Autopoiesis (a Criação de Si) – e Gestão do Conhecimento

Autopoiesis foi a palavra que os biólogos chilenos Humberto Maturana e Francisco Varela cunharam para explicar a vida. Poiesis é o ato criativo (mesma raiz de “poesia”); a vida é auto-poiética, ela cria, ela inventa e reinventa a si própria – a partir de si própria.

Mas desde Darwin já não se sabe que a vida se adapta às alterações no meio ambiente, alterações externas a ela? Como poderia então ser o referencial para a renovação da vida algo exclusivamente interno?

Maturana e Varela sabiam que a realidade externa muda; que os seres vivos de alguma forma “tomam conhecimento” dessas mudanças; e que esse processo os leva a mudar também. Eles debruçaram-se então sobre o processo da cognição, sobre o que seria esse “tomar conhecimento”.

E concluíram que qualquer conhecimento a respeito da realidade externa é uma criação interna. Ou seja, para o “conhecedor”, a realidade em si não existe, só existe a sua realidade, internamente criada. Isso renega a visão tradicional, pela qual os nossos cinco sentidos são canais que provêem acesso direto à realidade, e o “conhecimento” seria uma representação, uma imagem da realidade, a mais fiel possível.

O que Maturana e Varela comprovaram foi que os seres vivos não são agregados de partes, são padrões de interrelacionamentos entre essas partes, padrões dinamicamente renováveis. E que a realidade não “entra” em nós, de fora para dentro, pela visão e demais sentidos; ela pode no máximo estimular uma reorganização desse padrão de interrelacionamentos – um processo interno, autônomo.

Para todo e qualquer ser vivo, não existe o mundo em si, cada um cria o seu próprio “mundo”. E esse mundo é criado e renovado a partir daquilo que o ser... é – até aquele instante. E esse ato criativo faz com que o ser... mude. Agora, no instante seguinte, ele tornou-se um ser que renovou o seu mundo – que “conheceu”.

Uma reunião dos Alcoólicos Anônimos, Estados Unidos. O monitor faz um breve discurso: “palavras são só palavras, cada um interpreta de um jeito. Mas hoje, nada de palavras. Vocês vão travar contato direto com a realidade, nua e crua”. Ele pega então dois frascos de vidro, enche um com água e outro com álcool. Pega um pequenino verme e deixa-o cair no frasco com água. O verme afunda, alguns segundos depois começa a movimentar-se, chega à superfície e nada até a borda.

O monitor apanha novamente o verme, deixando-o cair desta vez no frasco com álcool. Ele novamente afunda, só que dessa vez permanecendo inerte. Instantes depois ele começa a se desintegrar. Depois de algum tempo, dele só resta um borrão acinzentado turvando a cristalinidade do líquido.

O monitor pergunta: “todos viram?”. Sim, todos. “E a que conclusão podemos chegar?”. Uma mão se levanta: “Entendo que, se bebermos álcool, não teremos vermes”.

Não há realidade “conhecível” independente da mente do “conhecedor”. Aquele alcoólatra havia renovado o seu conhecimento sobre a sua realidade – tendo por referência quem ele era, um alcoólatra. Aquilo que somos determina os limites para o que conhecemos, ao mesmo tempo em que o que vamos conhecendo vai aos poucos renovando aquilo que somos. Dizem Maturana e Varela: “viver é conhecer, conhecer é viver”. Estar vivendo é estar o tempo todo criando para si uma realidade externa (conhecendo), num processo estimulado pela realidade propriamente dita mas não determinado por ela, e sim pelo que somos. E estar “conhecendo” é estar o tempo todo se renovando, reinventando quem somos – autopoiesis. Os orientais têm um ditado segundo o qual “quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”; o novo conhecimento só surge dentro nós quando finalmente nos tornamos abertos a ele. No Ocidente, diz-se de outro modo: “o pior cego é aquele que não quer ver”.

Não há realidade “conhecível” independente da mente do “conhecedor”. Como não? Pode o céu não ser azul? Pode o Sol não ser quente? Se de fato pode, então por que todo mundo (literalmente todo mundo) teima em ver um céu azul, em sentir um Sol quente? Por que a todos nos parece estarmos diante de uma realidade única? Maturana e Varela sustentam que indivíduos de uma mesma espécie submetidos a um mesmo meio acabam por desenvolver histórias pessoais bastante parecidas e, portanto, acabam criando mundos próprios também bastante parecidos.

Podemos trocar de exemplo: Ao invés do céu azul e do Sol quente, tomemos “a Terra é redonda” e “A Terra gira em torno do Sol”. Durante quantos milênios os navegadores se aterrorizavam com a possibilidade de perder a costa de vista, achando que cairiam pela borda do mundo? E durante quantos milênios a humanidade inteira achou que era o Sol que girava em torno da Terra? Homens como Copérnico, Galileu e Kepler foram tidos como loucos (ou hereges, o que à época não era muito diferente), porque seu “mundo” era francamente contrário ao dos demais. O “mundo” então vigente nada mais era que o “conhecimento” da “realidade” – afinal, os barcos desapareciam após a linha do horizonte; e o Sol nascia de um lado, girava por sobre nossas cabeças, e se punha do lado oposto. É ilimitado o número de outros exemplos possíveis: no “mundo” que inicialmente só Gandhi via cabia uma Índia independente da Inglaterra sem o recurso à violência; seu feito notável foi ter conseguido compartilhar essa sua “realidade” com milhões de compatriotas seus.

Conhecimento tácito e conhecimento explícito, conhecimento individual e conhecimento organizacional – gestão do conhecimento. Onde nisso se encaixa a biologia autopoiética? Comecemos pelo conceito de conhecimento tácito.

O conceito de informação é inventado pelo homem por volta da década de 30, com a cibernética de Wiener e a teoria geral dos sistemas de Bertallanfy, mas populariza-se a partir da década de 60 com o advento do computador – seu descendente direto. O fantástico desenvolvimento que se seguiu embaralharia por demais os conceitos de informação e conhecimento, acabando erroneamente por tornar este um subconjunto daquele: nem toda informação seria conhecimento, a maioria era somente números, e números não passam de dados; mas todo conhecimento de alguma forma armazenado em meio magnético seria informação. Mesmo um livro, uma forma milenar de transmissão de conhecimento, passou a ser também considerado informação, só que armazenada em bibliotecas ao invés de computadores.

Quando nos idos dos anos 70 os acadêmicos se depararam com a necessidade de conceituar uma espécie de conhecimento que não seria passível de formalização, por estar introjetada no indivíduo, imbricada à sua trajetória pessoal de vivências, crenças e sentimentos, eles cunharam o termo “conhecimento tácito”. E, em contraposição, todo o restante, todo o conhecimento formalizável seria doravante denominado “conhecimento explícito”.

O que a autopoiesis nos diz é que viver é conhecer, conhecer é viver – para cada ser humano, a trajetória de seu encaixe com o seu “mundo” é única e, portanto, seu conhecimento também é único. Em outras palavras, tudo seria conhecimento “tácito”.

No entanto nós, historicamente, fomos levados a validar primeiro a idéia do conhecimento explícito como um subconjunto da informação, para só depois perceber que havia um “caso particular”, o tal do conhecimento tácito. Por isso já não é tão simples aceitar que aquilo que se hoje chama de “conhecimento explícito” (livros, documentos, bases de dados em computadores) seja tão somente informação. Mesmo que este acervo tenha sido produzido por alguém de grande conhecimento, ele não é conhecimento, é apenas estímulo para o desenvolvimento de conhecimentos individualizados dentro de cada indivíduo que a ele tenha acesso.

Então, não existem conhecimento explícito e conhecimento tácito, “conhecimento explícito” é informação, “conhecimento tácito” é conhecimento, e essas são coisas distintas, e estamos conversados. Acabou? Não, só começou, o melhor vem agora. Considerando-se que já ingressamos na assim chamada Sociedade do Conhecimento, adquirir consciência de que qualquer conhecimento está nas pessoas e que os computadores são meros armazenadores de informações desloca significativamente nosso eixo de referência – das máquinas para os seres humanos.

A maior parte de tudo o que se fez nas últimas décadas sob a alcunha de “gestão do conhecimento” partiu da premissa de que o conhecimento poderia ser manuseado como algo independente das pessoas que o criaram e que o utilizarão; buscou-se, em essência, controlar o conhecimento (compilar, armazenar, recuperar, disseminar, classificar, disponibilizar, tratar; em suma: organizar o conhecimento). A informação pode perfeitamente ser manuseada e controlada: planilhas, livros, documentos, bases de dados, o que for. Mas o conhecimento não.

Lembremo-nos do termo “sistemas especialistas”. Era o estado-da-arte, ao final da década de 80. Sistemas informatizados absorvendo o conhecimento de especialistas para a solução de problemas complexos; e tal como os seres humanos, resolvendo-os melhor à medida que mais problemas são resolvidos. Aprendendo. O que era um sistema especialista? Um “robô de conhecimento tácito”. Dito hoje, soa patético. No mundo inteiro, isto quase sempre acabou em frustração, malgrado as fortunas investidas.

Infelizmente, na maioria das empresas que imaginam estar “gerindo” o conhecimento, tecnologia da informação (TI) ainda vem em primeiro lugar. Resta às pessoas adaptar-se.

Mas aos poucos o quadro começa a mudar. Prusak e Davenport descrevem a progressiva migração dos modelos centrados em repositórios de conhecimento para modelos centrados em mapas de conhecimento. Repositórios são bancos de dados, ainda que flexíveis, como é o caso das listas de discussão da Internet. Mapas, como o nome já diz, são guias que ajudam as pessoas a localizar outras que presumivelmente detenham o conhecimento procurado. Dizem eles: “como regra geral, quanto mais rico e tácito for o conhecimento, mais tecnologia deverá ser usada para possibilitar às pessoas compartilhar aquele conhecimento diretamente. Não é boa idéia tentar conter ou representar o próprio conhecimento usando tecnologia”.

Se o conhecimento é referido à individualidade de cada “conhecedor”, a melhor de todas as formas de compartilhamento é o contato direto. Intermediários - mesmo os de alta tecnologia - tendem a dissipar toda a riqueza de nuanças da comunicação. É óbvio que a tecnologia ajuda a superar constrangimentos de tempo (por exemplo, e-mail) e espaço (por exemplo, telefone ou videoconferência) mas, o que ela pode fazer quanto à qualidade da comunicação? Tratam-se de aspectos como abertura, franqueza, saber ouvir, saber expressar-se, procurar compreender o contexto do outro (seus interesses, preocupações, valores etc. – ou seja, suas histórias) para compreendê-lo melhor. Novamente conforme Davenport: “A confiança organizacional e o contexto interpessoal necessários a uma verdadeira organização em rede não se baseiam apenas em tecnologia. Ao contrário, os relacionamentos necessitam ser inicialmente construídos em encontros face-a-face”. Trata-se de... convivencialidade.

E ganha força o conceito de conhecimento compartilhado: se todo conhecimento reside dentro das pessoas, é preciso que estas cheguem a acordos mínimos quanto a questões como “qual é o nosso negócio?” ou “quem são nossos clientes?”. E isso também é algo que se constrói face a face - convivencialmente. Não menos importante, tais consensos precisam ser dinâmicos, renováveis à medida que o ambiente externo muda – a qualidade da autopoiesis da organização. Também para isso, é preciso que haja convivencialidade.

Quais conhecimentos compartilhados a humanidade já renovou? De “a Terra é chata” para “é redonda”, de “a Terra é centro do Universo” para “gira em torno do Sol”. Na sociedade do conhecimento, uma nova realidade pode já estar diante dos nossos olhos, mas nossa história, nosso “viver” pregresso não nos permite “conhecê-la” ainda. Ousemos imaginar: qual tem sido o vínculo, ao longo de toda a história da humanidade, entre a geração e a distribuição de riqueza? A escassez. Nunca se gerou riqueza suficiente para distribuir a todos. E por quê? Porque os recursos eram finitos. Terras, na era agrícola, e capital, na era industrial. Se eu der a alguém as terras ou o dinheiro que possuo... simplesmente os perco. Mas o conhecimento é um recurso ilimitado, um ativo que aumenta com o uso. Se eu exponho a alguém meu conhecimento, não o perco; e esse alguém, ao combinar seu conhecimento prévio com o que apreende daquilo que falo, chega a novos insights – uma expansão do conhecimento. Para Buckminster Fuller, o grande propagador do conceito de sinergia, o problema do esgotamento dos recursos naturais do planeta (finitos) encontra resposta na inesgotabilidade da criatividade e da inteligência humanas (infinitas); pode-se contrabalançar o esgotamento dos recursos naturais através de formas criativas de uso que minimizem o consumo de recursos e maximizem os resultados. Para Paul Romer, “idéias são as instruções que nos deixam combinar recursos físicos limitados em arranjos cada vez mais valiosos”.

Pela primeira vez em toda a sua história, a humanidade está se tornando capaz de gerar riqueza numa escala sem precedentes. Mas não a distribui adequadamente – porque não sabe como fazê-lo, nunca o fez. Continua a concentrá-la porque foi só isso o que aprendeu a fazer ao longo de milênios, por medo da escassez. Nós apenas não conseguimos ainda nos libertar desse medo, perceber que ele já não tem mais razão de ser; as embarcações não cairão ao atravessar a linha do horizonte. Estamos, finalmente, nos tornando aptos a construir sociedades simultaneamente livres e justas.

2. Convivencialidade
“À medida em que eu domino a ferramenta, eu preencho o mundo com sentido; à medida em que a ferramenta me domina, ela me molda sua estrutura, e me impõe uma idéia de mim mesmo” - Ivan Illich

Convivencialidade é algo que o ser humano sempre teve ao longo de milênios (embora sem se dar conta disso), e foi aos poucos – e num ritmo acelerado de uns 300 anos pra cá – perdendo. Os povos antigos viam, em cada ente da natureza, fosse uma árvore, pedra, estrela ou onda do mar, a manifestação da vontade de seu Deus ou deuses. Profundamente místicos, era assim que eles também viam a si próprios – uma manifestação toda especial da vontade Divina, bem entendido, mas apenas uma manifestação a mais. Seria temerariamente abusivo dispor das demais, afinal não eram suas, pertenciam a Deus; o homem deveria ao menos pedir licença se quisesse usá-las. E assim, o pastor de ovelhas usava para si a criação de Deus, delas extraindo carne, leite, lã e novas ovelhas mas, de tempos em tempos, ele sacrificava em louvor ao seu Deus a mais bonita, a mais viçosa de seu rebanho. Era como se ele Lhe dissesse: “eu dispus, em meu benefício próprio, do que não era meu, era Seu; agora, estou repartindo Contigo uma parte dos frutos do meu trabalho”. A morte da ovelha significava a restituição de sua condição sagrada; uma vez sacrificada, não haveria mais leite nem lã, a carne não iria para a mesa. Não haveria mais “uso”.

Era assim a convivência – um diálogo com a natureza.

Penso, logo... existo. Aos poucos, esse meu existir vai deixando de ser “porque Deus quis” e vai-se tornando “porque Eu penso”. E, se agora sou eu quem racionalmente atribui valor às coisas, ora, que desperdício esse de sacrificar ovelhas, e logo a mais bonita de todas - nada disso. O açúcar faz a riqueza e a glória das cortes de Portugal? Derrube-se a mata atlântica nordestina para abrir espaço aos canaviais. O carvão e o petróleo movem o mundo? Então use-se a atmosfera como depósito de gás carbônico. A natureza vai sendo aos poucos instrumentalizada, transformada em ferramenta a serviço do homem. Sem espaço para o diálogo.

Já a dominação do homem pelo homem é algo que sempre existiu (basta lembrar a escravidão), mas havia sempre algum sacerdote de plantão para justificar que aquela era de alguma forma a “vontade de Deus”. Mas, e hoje? Assistimos ao genial “Tempos Modernos” do Chaplin, a dominação está lá, o homem transformado em ferramenta, mas cadê o sacerdote? A dominação assumiu uma face mais sutil, a da “instrumentalização”, ela tornou-se parte integrante da marcha rumo ao progresso. Em nome do progresso, hoje convivemos “naturalmente” com danos nas articulações das mãos até então inéditos para a humanidade, e banalizamos tais aberrações chamando-as de LER (lesões por esforços repetitivos), como se fossem uma mera unha encravada a mais. Costumava-se há bem pouco tempo questionar os eventuais malefícios da TV, mas as novas gerações já não conseguiriam imaginar um mundo sem a parafernália de videogames, chats, ICQ, jogos eletrônicos até no celular... quantos seriam capazes de ter a calma e a paciência suficientes para ler um livro? Vivemos em megalópoles amontoados a milhões de outros, mas nos sentimos cada vez mais solitários... E quem determina quais são as nossas “necessidades”? Nós mesmos? Ou a indústria da publicidade que nos induz a sentirmo-nos carentes de coisas que sequer sabíamos que existiam?

Pior, não são apenas ou outros e a natureza que nós transformamos em instrumento para nosso “uso”. Como convivemos com nosso próprio corpo? Dialogamos com ele, sabemos pressentir seus sinais de alerta? Vamos dormir ao sentir sono, esperar sentir fome para comer (e sentir que a fome passou para parar de comer)? Ou usamos (e abusamos de) nosso corpo como ferramenta, impondo-lhe um modo anti-natural de vida, sem sequer nos apercebermos disto?

Fomos perdendo assim a convivencialidade espontânea e natural que tínhamos com o mundo, com os outros, conosco mesmo.

Falar do taylorismo ou dos padrões de consumo é até óbvio. Elucidativo mesmo é ver Ivan Illich demonstrando em livros como “A Convivencialidade” ou “Sociedade sem Escolas” o predomínio da instrumentalização (o oposto da convivencialidade) nos campos da educação e da saúde. Vejamos o caso dos transportes: em cerca de apenas um século, o homem passou da libertação proporcionada pelos veículos motorizados para a escravidão imposta pelo automóvel: as pessoas dedicam ao deslocamento motorizado cada vez mais tempo do que julgam que ele lhes poupa. Illich em 1972 estimou que um norte-americano típico gastava mais de 1.500 horas por ano com seu automóvel: sentado nele, em movimento ou estacionado; trabalhando para pagá-lo(!), para pagar a gasolina, os pneus, a manutenção, o seguro, os impostos e as multas. Ele gasta então 4 horas por dia(!!) com seu carro, quer usando-o, cuidando dele, ou trabalhando para pagar seu custo. E ele precisa dessas 4 horas para percorrer em média 27 quilômetros por dia, ou menos de 7 km/h! Francamente, uma bicicleta faria muito melhor. E não foram incluídos nesse cálculo o tempo gasto com acidentes (hospital, tribunais), roubo (delegacias, seguradoras), o tempo assistindo-se na televisão a publicidade dos novos modelos de carros... E Illich não tinha idéia do que significa hoje deslocar-se de carro nos engarrafamentos das ruas de uma cidade como São Paulo! Illich nos mostra que o automóvel nos rouba tempo, ao invés de poupá-lo. Ele restringe a convivencialidade.

...

Auto-organização. Aprendizagem organizacional. Comunidades de prática. Organizações em rede. O que isto teria a ver com convivencialidade? Tudo.

O maior potencial para a criatividade e a inovação está na diversidade, e nas equipes que dela tomam partido; para Dorothy Leonard, “a inovação ocorre nas fronteiras entre as mentes, não dentro do território provinciano de uma só base de habilidades de conhecimento”. O problema é que a grande maioria das pessoas é ensinada desde que nasce a valorizar o convívio com quem pensa igual a elas; nas empresas, não é diferente.

Eficiência é fazer melhor aquilo que já se sabe que se tem de fazer. Inovação e evolução é descobrir o que de novo se deve fazer, diante de um mundo que muda cada vez mais rápido. Aquela requer o pensar igual, estas o pensar diferente. Mas as pessoas foram preparadas para valorizar o convívio com quem pensa diferente delas? Consideremos: como costumam ser as reuniões nas empresas? As pessoas expõem com franqueza e abertura tudo o que pensam? E após ouvir as idéias dos outros, elas sentem-se à vontade para comentar, criticar, propor alterações?

Existe conflito nas organizações? Quando em uma palestra dou minha resposta a esta pergunta costumo ver olhos arregalando: “muito pouco”. A maior parte das pessoas tem um verdadeiro pavor dos conflitos, e justamente por isso elas evitam emitir suas opiniões de forma plena. Elas “medem” suas palavras, sentem aonde estão pisando, arriscam aos poucos, recuam se for o caso. Elas sabem que os outros, tal como elas, também temem a exposição de suas idéias se estas puderem vir a ser confrontadas. Temem que isso represente risco para sua imagem profissional perante os outros.

As raízes para esse medo encontram-se na forma cartesiana e linear de se pensar. Todo efeito deve ter uma causa correspondente, todo problema deve ter uma única explicação correta. Peter Senge diz que, desde que nascemos, alguém sempre tem a resposta “certa”: primeiro os nossos pais, depois nossos professores... acaba sendo natural esperarmos que algum especialista, ou o chefe, ou um colega mais experiente tenha a responsabilidade de “acertar” a solução do problema; até temos também a nossa resposta “certa” mas, se ela estiver em posição frágil para “competir” com as demais, por que nos arriscar? Senge nos diz que a saída está em compreendermos que a maioria dos problemas são de natureza complexa, e que por isso não admitem uma, mas várias soluções possíveis. Não há uma resposta “certa”. Se não há, a busca da resposta “melhor” passa por conjugar os diferentes insights contidos nas diferentes respostas possíveis das pessoas, as quais principiam nas suas diferentes percepções e interpretações da mesma realidade. A isso, que tenderíamos a chamar de confusão, precisamos aprender a chamar de riqueza potencial.

A compreensão de que ninguém pode ter a resposta certa é libertadora, se não precisarmos mais sustentar nossa opinião contra as demais; ao ouvir uma crítica ao que dissemos, poderemos pensar: “que bom, alguém está me dando uma oportunidade para refletir sobre as limitações de minhas idéias, e aperfeiçoá-las”. É uma chance de aprendizado que, em sendo recíproca, configura um diálogo – aprendizagem organizacional. Convivencialidade.



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